22.4.09

25/04 - Faces (John Cassavetes)

Neste Sábado dia 25/04 às 19:30hrs
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA

Cinema do corpo, espelho da alma

A entrada em Faces é uma experiência abismal: depois de uma seqüência inicial um tanto metalingüística e quase deslocada (mas nem tanto) da narrativa subseqüente, somos jogados no meio de uma seqüência noturna em que dois homens e uma mulher saem do “The Loser’s Club” (que nome, que nome!!...), e vão para a casa dela. Lá, embriagados, se envolvem numa longuíssima seqüência de sedução e repulsa, onde muito aos poucos vamos entendendo os laços que unem (ou não) cada um deles. A seqüência é longa, mas os planos são curtíssimos, instáveis ao extremo: cortes rápidos, quebras constantes (e propositais) de eixo, aproximações extremas nos rostos misturadas com planos abertos, pequenas elipses. Uma leitura apressada falaria de uma “câmera bêbada” como os personagens, mas muito mais do que uma questão de embriaguez, a inquietude da câmera de Cassavetes é reflexo do desconforto dos personagens (a princípio um desconforto lido pela situação em si, mas que, ao longo do filme, veremos se tratar de um desconforto muito mais profundo, existencial mesmo).

Esta primeira seqüência, agressiva e confusa (ambos efeitos absolutamente propositais), estabelece um desafio ao espectador: “ame-me ou deixe-me”. O filme ali deixa claro para o espectador que não pretende facilitar sua fruição, nem no que tange a linguagem, nem especialmente no que tange o retrato das relações humanas. Trata-se, neste sentido, de ato até generoso: Cassavetes estabelece bem cedo suas regras, e permite ao espectador que tome por si a decisão de comprá-lo ou não. Aos que optarem por comprar, Faces oferece uma viagem às profundezas do ser humano, principalmente a partir das relações de gênero, amorosas e sexuais – e neste sentido o filme não poderia ser mais representativo do seu ano de produção (1968), antecipando muito do debate sobre os papéis da mulher que dominaria os EUA na década seguinte.

Nesta viagem, Cassavetes demonstra uma disposição cada vez mais rara no cinema que o sucedeu (em especial, o dito cinema independente americano, do qual foi eleito postumamente como o “papa e fundador”, mas que tão pouco deve a ele no geral): tornar ternura e agressividade, fragilidade e poder, desesperança e transcendência pólos não apenas próximos, como convivendo sempre nos mesmos corpos. Corpos, sim: porque embora o filme se chame Faces e realmente tenha alguns dos mais marcantes closes em rostos humanos vistos no cinema (especialmente os de Richard Morley e Lynn Carlin – estupendos – mas no de todos os atores), todo o jogo do filme é uma questão de corpos em movimento. Talvez fosse mais adequado falarmos mesmo corpos (nada celestes) em órbita, porque cada um deles parece gerar um campo gravitacional em torno de si, constantemente atraindo e repelindo os outros. Não por acaso os primeiros beijos entre Morley e Gena Rowlands mais parecem uma colisão entre dois objetos animados do que exatamente um encontro “amoroso” entre dois seres humanos. Trata-se menos da expressão de um desejo do que a simples concretização de uma força maior que ambos, que os empurra em direção ao outro. O mesmo acontecerá mais adiante nas cenas entre Seymour Cassell e Carlin, no apartamento desta – tanto na sedução como na impressionante seqüência da reanimação dela, em que poucas vezes vimos o peso de um corpo filmado com tanta força.

Tudo isso vai culminar na seqüência, e especialmente no plano final, em que os corpos de Morley e Carlin parecem mesmo atrair e repelir um ao outro seguidamente, como se eles mesmos não dominassem mais seus atos, seus impulsos, seu desejo do carinho, do entendimento, mas também da fuga, da liberdade, da recusa. Este plano final, inclusive, serve como antítese a todas as idéias mais simplórias do cinema de Cassavetes como um do domínio do improviso: um plano longo, de enquadramento fixo e estudadíssimo para atingir o máximo efeito das entradas e saídas de quadro, da relação de profundidade e mudança de altura através da escada. Plano para o qual todo o filme converge, mostrando que o cinema de Cassavetes é um do planejamento, ainda que um planejamento que incorpora a matéria-viva do cinema (ou seja, os atores – mas também a câmera) como partes criadoras de um sentido já muito pensado.

É aí que o cinema de Cassavetes se aproxima do de um Rohmer, que assim como ele (embora em registro visual e dramático absolutamente distinto, pelo menos após O Signo do Leão) se aproveitava de um determinado “efeito de real”, só que atingido a duras penas (através de uma exploração altamente estudada de progressão dramática e linguagem muitas vezes teatral – este último aspecto muito mais em Cassavetes, é verdade, especialmente notável, não só pelo tema, em Noite de Estréia). Só que este efeito de real, muito mais do que “fotocopiar” a vida, busca transcendê-la pela sua hiper-utilização, pela sua exacerbação, nos permitindo o sentimento essencialmente artístico do êxtase da percepção. Ou seja: tudo aquilo que um determinado cinema “sanguessuga do mundo real” (pensamos hoje especialmente em Na Cama, cuja trama inclusive possui paralelos com a de Faces) não consegue sequer compreender, que dirá solucionar cinematograficamente. Em Faces, muito mais do que apenas (apenas?) uma compreensão profunda dos dilemas humanos frente a incompletude e beleza inerentes aos encontros e relações amorosas, temos ao trabalho um mestre da arte cinematográfica no ápice do seu domínio da linguagem que resolveu explorar. Não é pouca coisa.

por Eduardo Valente.

Direção:

John Cassavetes

Ano:

1968

País:

Estados Unidos

Gênero:

Drama

Duração:

130 min. / p&b

Título Original:

Faces

Elenco:

John Marley, Gena Rowlands, Lynn Carlin, Seymour Cassel, Fred Draper, Dorothy Gulliver, Jerry Howard, Carolyn Fleming, Don Kraatz, Val Avery

Sinopse:

O enredo do filme reflete as insatisfações da classe média americana e a falência da instituição familiar a partir de uma trama de troca de casais.

26.3.09

28/03 e 04/04 - Smoking/No Smoking (Alain Resnais)

Nos dias 28/03 e 04/04 às 19:30hrs
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA





As consequências de uma dona de casa fumar ou não um cigarro ramificam-se numa dúzia de destinos separados e universos paralelos, cada um com sua própria conclusão, nesses dois longas franceses de Alain Resnais. Adaptado e traduzido de seis das oito peças cômicas que compreendem o ciclo Intimate Exchanges do autor inglês Alan Ayckbourn, eles podem ser assistidos juntos ou sozinhos, e em qualquer ordem. O projeto, um tour de force para dois atores, interpretando múltiplos papéis (Pierre Arditi e Sabine Azema), foi um sucesso de bilheteria quando lançado na França em 1993, e como uma unidade os dois filmes varreram os Cesars (o Oscar francês) de melhor filme, diretor, ator, e cenografia.



Título original: Smoking/No Smoking
Realização:
Alain Resnais
Intérpretes:
Sabine Azéma, Pierre Arditi França, 1993

13.3.09

14-03 - Bande à Part (Jean-Luc Godard)

Neste Sábado dia 14-03-2009 às 19:30hrs
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA

"Bande à Part" (1964 - 92m)

SINOPSE
"As personagens de Godard vivem como se estivessem (ou talvez como se vivessem) num filme: Cantam e dançam como se vivessem num musical, percorrem Paris como se estivessem num filme noir, disparam como se estivessem num western." -Luis Miguel Oliveira, Cinemateca Portuguesa

Pondo alegremente em prática a máxima de D. W. Griffith - "para fazer um filme basta uma garota e uma arma" - BANDE À PART é a homenagem de Godard aos filmes policiais da Hollywood dos anos 40. Frantz e Arthur, dois amigos porras loucas habituados a meter-se em embrulhadas, conhecem a tímida Odile (interpretação extraordinária de Anna Karina, à época mulher e musa de Godard), que lhes conta que a sua tia Victoria e um amigo, o sr. Stolz, escondem em casa uma avultada soma de dinheiro. Frantz e Arthur começam imediatamente a planejar um roubo. Enquanto acompanhamos as deambulações deste trio improvável pelos cafés e ruas de Paris, cresce a suspeita de que o golpe que preparam não vai correr de acordo com o plano. Com fotografia de Raoul Coutard e música de Michel Legrand, BANDE À PART, é um dos mais famosos filmes do cineasta franco-suíço, tem algumas das mais antológicas cenas da história do cinema, nomeadamente a sequência da dança no café que inspirou Quentin Tarantino em "Pulp Fiction" e Hal Hartley em "Simple Men", além da corrida pelo Louvre homenageada por Bertolucci em "Os Sonhadores"

DIRETOR
Jean-Luc Godard

INTÉRPRETES
Anna Karina, Danièle Girard, Louisa Colpeyn, Chantal Darget, Sami Frey, Claude Brasseur, Georges Staquet, Ernest Menzer, Jean-Claude Rémoleux.

13.1.09

CICLO DE FÉRIAS - FAÇA CHUVA OU FAÇA LUA - 19 a 23/01

CICLO DE FÉRIAS
Faça Chuva ou Faça Lua
De 19 a 23/01 às 20:30hrs no SESC Cascavel


19/01


20/01


21/01


22/01


23/01


PARA RECEBER AS SINOPSES MANDE UM EMAIL PARA
cineclubesilenzio@gmail.com

15.12.08

CICLO AO LUAR (Desta vez vai)

DE 15 a 19 de Dezembro às 20:30hrs

COMEÇA HOJE (15/12) O CICLO AO LUAR COM O FILME CANTANDO NA CHUVA ÀS 20:30HR no SESC

A SEMANA SEGUE COM OS FILMES:

O PICOLINO
O MÁGICO DE OZ
NÚPCIAS REAIS

E UM FILME SURPRESA NA SEXTA-FEIRA

VENHAM TODOS CURTIR UM "PRÉ-NATAL" COM UM CLÁSSICO À LUZ DO LUAR.

ABRAÇOS

5.12.08

CICLO AO LUAR - DE 08 a 12 de Dezembro

DE 08 a 12 de DEZEMBRO (segunda a sexta) às 20:30h no SESC



1- CASABLANCA
(Casablanca, 1942)

Rick é dono de um famoso bar localizado em Casablanca, no Marrocos Francês, durante a Segunda Guerra Mundial. A cidade é rota de fuga para quem deseja evitar os nazistas, onde passes livres são vendidos por um salgado preço no mercado negro. Neste caótico ambiente, Rick encontra Ilsa, com quem tivera um amor interrompido inesperadamente há algum tempo, em Paris. Vencedor do Oscar de Melhor Filme, Diretor e Roteiro, possui ainda uma das mais belas canções já compostas para um filme, "As Time Goes By".



2 - O PICOLINO
(Top Hat, 1935)

Um bailarino é contratado para estrelar um musical. Em meio aos ensaios, ele conhece e se apaixona por uma bela mulher. Porém, o romance entre os dois é interrompido porque ela pensa que o bailarino é noivo de sua amiga. Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Recebeu 4 indicações ao Oscar



3- CANTANDO NA CHUVA
(Singin' the Rain, 1952)

Em 1927, Hollywood está um verdadeiro rebuliço, com a transição do cinema mudo para o falado. Don Lockwood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hage), o casal mais querido do cinema mudo, prepara-se para rodar um musical. Mas infelizmente Lina não só não sabe cantar, como tem uma voz horrível. A estreante Kathy Selden (Debbie Reynolds) é chamada a emprestar sua voz à estrela. As gravações são uma confusão, mas tudo piora quando Don se apaixona pela doce Kathy. Ao lado de seu inseparável amigo, o compositor Cosmo Brown (Donald O' Connor), ele tenta mostrar ao mundo o talento de Kathy



4- O MÁGICO DE OZ
(The Wizard Of Oz, 1939)

(The Wizard Of Oz, 1939) Nós batemos nossos saltos na expectativa. Não há lugar como o lar e nenhum filme como este. De geração para geração, O Mágico de Oz nos mantém unidos - crianças, adultos, famílias, amigos. A impressionante terra de Oz, um mundo de sonhos que viram realidade, de florestas encantadas, espantalhos dançantes e leões cantates, uma mágica aventura recheada de maravilhosas canções. Baseado na preciosa série de livros de L. Frank Baum, O Mágico de Oz foi julgado o melhor filme familiar de todos os tempos pelo American Film Institute. E essa restauração nunca vista antes parece e soa melhor do que antes. Nós convidamos você para embarcar rumo a Cidade Esmeralda na mais famosa estrada da história do cinema. Dorothy (Judy Galard), Espantalho (Ray Bolger), Homem-de-Lata (Jack Haley) e Leão Covarde (Bert Lahr) esperam por você na Estrada dos Tijolos Amarelos e Over The Rainbow.



5- NÚPCIAS REAIS
(Royal Wedding, 1951)

Dois irmãos bem distintos, ele sério e ela baladeira, embarcam para Londres para um importante show. As diversões da irmã colocam em perigo o sucesso da dupla.

3.11.08

08/11 - Bem-vindo a Casa de Bonecas (Todd Solondz)

Neste Sábado dia 08/11 às 19:30h
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA

Título Original: Welcome to the Dollhouse
Gênero: Comédia Dramática
Tempo de Duração: 89 minutos Ano de Lançamento (EUA): 1995
Site Oficial: www.spe.sony.com/classics/welcome/index.html
Estúdio: Suburban Pictures
Distribuição: Sony Pictures Classics
Direção: Todd Solondz
Roteiro: Todd Solondz
Produção: Todd Solondz
Música: Jill Wisoff
Fotografia: Randy Drummond
Desenho de Produção: Susan Block
Direção de Arte: Lori Solondz
Figurino: Melissa Toth
Edição: Alan Oxman




seta3.gif (99 bytes) Elenco
Heather Matarazzo (Dawn Wiener)
Matthew Faber (Mark Wiener)
Daria Kalinina (Missy Wiener)
Brendan Sexton III (Brandon McCarthy)
Eric Mabius (Steve Rodgers)
Will Lyman (Sr. Edwards)
Rica Martens (Sra. Grissom)
Dimitri DeFresco (Ralphy)
Stacey Moseley (Mary Ellen Moriarthy)
Herbie Duarte (Lance)
Telly Pontidis (Jed)
Christina Brucato (Cookie)
Victoria Davis (Lolita)



seta3.gif (99 bytes) Sinopse Dawn Weiner (Heather Matarazzo) não tem motivos para gostar da escola, na qual estuda na sétima série. Ela é uma adolescente complexada e há motivos para isto. No seu colégio é ridicularizada pelos colegas, que a chamam de "Salsicha", e seu relacionamento com sua família não é dos melhores. Ela deseja ser aceita de qualquer jeito e para isto planeja namorar um rapaz mais velho, que é muito popular, apesar disto ser totalmente improvável.

Depois de assistir a “Bem-vindo à Casa de Bonecas” (Welcome to the Dollhouse, EUA, 1995) e dar uma boa olhada numa foto do seu diretor, Todd Solondz, é inevitável pensar no quanto o filme contém de autobiográfico. Trata-se, afinal, de um retrato demolidor da família típica norte-americana, centrada no figura de uma pré-adolescente estilo “patinho feio”, que é uma descrição muito apropriada para a figura mirrada de óculos fundo-de-garrafa que é o diretor. Impressiona, sobretudo, a enorme crueldade com que Solondz trata sua personagem principal, expondo sem piedade sua agonia desesperada para ser ouvida por alguém, qualquer pessoa, ainda que para isso precise passar por situações constrangedoras e/ou humilhantes.

Nesse sentido, o relacionamento mais esclarecedor do filme é aquele que une a protagonista Dawn (Heather Matarazzo) e o colega de classe Brandon (Brendan Sexton III). Ambos têm na faixa dos 13 anos e são solenemente desprezados pelos amigos. Brandon, menino cheio de hormônios, decide que a melhor maneira de romper a casca que o separa do resto do mundo é humilhando com violência a única pessoa que conhece a estar situada abaixo dele na escala de desprezo do colégio – e esta pessoa é Dawn. Então, como se despreza alguém aos 13 anos? Com ameaças de surras e estupros.

Ocorre que Dawn, agônica e irascível, está a aponto de explodir de tanta frustração solitária. Ninguém lhe entende, ninguém lhe dá atenção. Dentro da própria família, ela é um zero à esquerda. A irmã mais nova (Daria Kalinina) é a bonita e o irmão mais velho (Matthew Faber), o inteligente; o que lhe resta é o rótulo invisível de “burra e feia”. Os pais lhe ignoram. Ela é uma das piores alunas da turma, se veste mal, tem o rosto cheio de espinhas e está acima do peso, o que significa virar alvo de chacota e piadas constantes dos colegas de colégio e até dos familiares. Dawn está disposta a tudo para arrumar companhia. Talvez até mesmo se deixar ser estuprada. A amizade que surge entre ela e Brandon é tortuosa, mas sincera. É a amizade de duas almas incompreendidas.

“Bem-vindo à Casa de Bonecas” é um retrato cáustico e cruel do isolamento social a que os indivíduos que não se encaixam nos padrões ditos “normais” são submetidos. A partir da virada entre os anos 1980 e 1990, talvez a partir da pequena pérola “Sexo, Mentiras e Videotape” (1998, de Steven Soderbergh), o cinema independente produzido nos EUA revelou uma série de bons cineastas dedicas a desmontar a hipocrisia da família norte-americana, como uma criança faria com um Lego. Terry Zwigoff (“Ghost World”) e Paul Thomas Anderson (“Magnólia”) são alguns desses nomes que filmam o que há por trás da aparência de normalidade das casa de subúrbio em que vivem os perseguidores do “sonho americano”. Solondz é o mais radical deles.

A habilidade deste diretor nascido e criado em Nova Jersey, nos arredores de Nova York, é inquestionável. A narrativa de “Bem-vindo à Casa de Bonecas” é limpa e sem gorduras, o texto é cru e ácido, os diálogos são inteligentes. Filmado em locações reais e com um orçamento menor do que US$ 1 milhão, o segundo longa-metragem do cineasta exala espontaneidade e crueza, transitando numa terra de ninguém entre o cômico e o trágico, de forma que o filme em geral soa melancólico e amargo, mas com um forte cheiro de comédia.

Solondz tem sido muitas vezes questionado e criticado por submeter seus personagens a situações de grande crueldade, sem deixar transparecer, como outros cineastas, nenhum afeto por eles. Gostar ou não desse tipo de abordagem é algo pessoal, mas não há como negar que a voz de Todd Solondz é uma das mais altas a gritar contra a alienação social nos EUA, o que o transforma inevitavelmente em porta-voz dos socialmente isolados. Vindo de um sujeito magrelo e feioso, não é muito difícil imaginar que o filme contém muito da experiência pessoal de Solondz, curiosamente um cineasta que não circula em Hollywood e permanece bastante isolado dos seus pares, como um Dawn do sexo masculino e na idade adulta. Isso é curioso, e certamente põe o diretor numa posição peculiar e interessante. Quem gosta de cinema transgressor deveria dar uma espiada atenta nos filmes dele.

“Bem-vindo à Casa de Bonecas” foi lançado no Brasil nos cinemas, em 1996, e exibido em circuito restrito às salas de arte. Jamais saiu em DVD. Nos EUA, a edição existente é da Columbia, e contém apenas o filme (imagem em formato wide anamórfico 16:9 e som em Dolby Digital 2.0) com um trailer como único extra.

- Bem-vindo à Casa de Bonecas (Welcome to the Dollhouse, EUA, 1995) Direção: Todd Solondz Elenco: Heather Matarazzo, Matthew Faber, Daria Kalinina, Brendan Sexton III Duração: 89 minutos

27.10.08

01/11 - A Troca (Peter Medak)

Neste Sábado dia 01/11 às 19:30h
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA



Desde a trágica morte de sua família, o compositor John Russell (George C. Scott), abandonou Nova Iorque e agora vive numa casa solitária na esperança de continuar compondo e encontrar a paz. Enquanto ele aprecia o silêncio e solidão de sua nova residência, ele começa a ver constantemente o corpo de um jovem rapaz. Nas suas pesquisas pela casa, ele descobre uma entrada secreta para um antigo quarto de criança, que permaneceu esquecido durante muito tempo. Nele, John encontra uma cadeira de rodas e uma caixinha de música e sente que alguma coisa terrível deve ter acontecido neste quarto. Possivelmente, devido ao seu trauma, ele está aberto a se comunicar com os espíritos ocupantes da casa e tenta fazer contato através de um médium. A sinistra sessão espírita revela um acontecimento que permaneceu, até então, em segredo...
Gênero Suspense/ Terror
Atores George C. Scott, Trish VanDevere, Melvyn Douglas, John Colicos, Jean Marsh, Barry Morse, James Douglas, Madeleine Thornton-Sherwood, Roberta Maxwell, Bernard Behrens,
Direção Peter Medak,
Idioma Inglês,
Legendas Português
Ano de produção 1979
País de produção Estados Unidos,
Duração 115 min.

Sem Sangue, sem CGI

Vander Colombo

Desta vez devo-lhe fazer uma confissão: Não, o diretor do filme desta semana não é um grande diretor. Na verdade, Peter Medak até fez algumas coisas capazes de envergonhar o dúbio título dos convocados ao “Masters of Horror” da Multishow.

Aí chega a hora de você se perguntar: “Ta, e por que diabos escalou um filme do cara pra essa semana?” E lhe respondo, porque A Troca, é um filme ímpar na estante dos filmes de terror em língua inglesa. Primeiro, porque o filme não tem uma única gota de sangue e um único efeito especial “off camera” ou seja, não há um único efeito que foi realizado em cima da imagem posteriormente, todos eles foram habilmente feitos apenas com trucagens de câmera.

“Ok, Vander, Drácula e Frankenstein de 1931, Nosferatu e muitos outros filmes também foram feitos assim” Sim, lógico que por necessidade, mas é verdade, porém a Troca não é um filme de monstro, mas um filme de fantasmas feito em 1979, isso é, depois de Tubarão e Guerra nas Estrelas, sendo que depois desses filmes o “ó do borogodó” era encher o filme de efeitos especiais até o talo (lembra de Poltergeist?) aliás, “era” é bondade minha, ainda o é (lembra de qualquer um dos últimos filmes que assistiu no shopping?).

Em A Troca, George C. Scott é um compositor que após a morte da família muda-se para um grande casa, onde pouco a pouco começa a perceber estranhezas. O compositor aos poucos vai tentando decifrar o que ele mais tarde acredita ser uma mensagem. E é justamente aí que o filme torna-se mais interessante que pencas de outro do gênero, pois ao invés de segurar a platéia com banhos de sangue, ele a faz participar da investigação com todo o interesse possível, e convenhamos isso não é das coisas mais fáceis em filmes do estilo, até porque a “entidade” não é um professor de literatura antiga evocando clássicos como A Divina Comédia ou fazendo enigmas à luz de Aristóteles, mas simplesmente um interlocutor com segredos inquietantes.

E afinal será Halloween, um feriado que não comemoramos e nem fazemos feriado, mas graças aos enlatados dominamos. E Halloween é sinônimo de serial killer, que aliás também não temos por aqui, fantasmas dizem que tem em todo lugar e parece que não foram patenteados, o que nos dá uma sensação maior de participação na trama (A que ponto chegamos quando para nós o sobrenatural é o mais próximo possível do verossímil?).

A Troca se não for um filme que estimule a inteligência é no mínimo um estímulo à sua criatividade dedutiva. Vez ou outra é interessante não somente “assistir” um filme, mas “observa-lo” no sentido ativo do verbo. Digamos que na categoria de filmes de gênero isso tem sido de uma raridade similar a conseguir conversar com um fantasma.

O filme “A Troca” será exibido neste sábado dia 01/11 às 19:30h

No SESC Cineclube Silenzio.

A entrada é gratuita

24.10.08

25/10 - Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman)

Neste Sábado dia 25/10 às 19:30h
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA



Um dos filmes mais perturbadores do mestre Ingmar Bergman, Gritos & Sussurros é apresentado, pela primeira vez no Brasil, em versão restaurada e remasterizada no formato widescreen, que resgata em todo seu esplendor a belíssima fotografia do genial Sven Nykvist, premiada com o Oscar da categoria. Numa casa de campo, Agnes recebe, à beira da morte, os cuidados de suas duas irmãs e de uma dedicada empregada da família. Neste ambiente claustrofóbico, acompanhamos as imaginações, lembranças e frustrações destas quatro mulheres. Indicado a 5 Oscar, incluindo Melhor Filme e Direção, Gritos & Sussurros é obra-prima de uma riqueza infinita, obrigatória na coleção de todo cinéfilo.
Gênero Arte
Atores Liv Ullman, Ingrid Thulin, Harriet Andersson, Kari Sylwan, Erland Josephson,
Direção Ingmar Bergman,
Idioma Sueco,
Legendas Português,
Ano de produção 1972
País de produção Suécia,
Duração 106 min.

Estou morta, mas não consigo dormir.

Vander Colombo.

Dizer que o texto vai de encontro a Ibsen ou mesmo Tchecov, seria minimizá-lo. Não fosse o fato da humanidade não imortalizar seus contemporâneos, Ingmar Bergman estaria no mesmo patamar de seus dois antecessores, sem tirar ou pôr.

Na época que começava a produção de Gritos e Sussurros, Bergman dava instruções aos seus companheiros de set, de que aquilo não era uma história, era um sentimento, aquilo não era uma casa, mas o interior de uma alma fragilizada. Por conta disso o vermelho que iria dominar o filme junto ao branco e negro, era tão somente como a membrana úmida que segundo Bergman cobria esta mesma alma.

O universo é feminino, suas atrizes já declaravam que Bergman talvez entendesse melhor este universo que as próprias mulheres. E o sentimento, bom, primeiramente como poderia eu traçar a sinopse de um sentimento..., porém, comum à obra bergmaniana, o sentimento é resultante da fé versus o vazio divino. Desumanização graças aos ranços da moral religiosa. Bergman em sua filmografia nos faz desconfiar de pessoas que falam demais de Deus... E, se analisamos ao redor, vemos que a informação não passa ao largo da realidade. Pessoas que se escondem em maneirismos, repreendendo suas próprias frustrações, desejos e taras (quando não para atingirem seus objetivos sejam eles financeiros, políticos ou de escalada social), perdem sua humanidade mascarando-a em sentimentos infinitamente piores como falsidade, hipocrisia e crueldade avalizados pelos textos bíblicos.

A três irmãs apresentadas em Gritos e Sussurros encaixam-se nesta conveniência hipócrita, evitando ao máximo transmitir ternura, limitando-se a declará-la em frases átonas.

Uma das irmãs, doente terminal, é talvez a que tenta em vão extrair essa humanidade petrificada das duas outras, mas a única ternura vem da ama que perdera o rebento, e assim como o leite que se esvai de um peito sem filhos pra alimentar, ela dedica seu carinho a essa mulher crescida.

As poucas figuras masculinas que figuram são hediondas, ríspidas, os chamados “varões” que de tão brutalizados (como figuras masculinas típicas da bíblia) perdem a própria dignidade num jogo egótico, utilizando-se das três como peões, que aí, como manda a cartilha, desprendem um amor romântico formalizado.

Esta alma expressa por Bergman é claustrofóbica e pulsante, parecendo cada vez mais se fechar sobre elas, uma alma que conforme se retrai, parece petrificar gerando uma angústia inversamente proporcional. Sua “membrana” belissimamente fotografada pelo gênio Sven Nykvist traduz em cores e luz toda a complexidade da mente etérea do diretor.

Bergman ganhou da crítica o título de deus, mas Bergman não era divino, até porque o adjetivo lhe seria ofensivo. Ao contrário, possuía um humanismo e uma noção de fraternidade que muitos santos dariam a auréola para ter, ainda mais em tempos em que se fala da beatificação de Pio XII.

O filme “Gritos e Sussurros” será exibido neste sábado dia 25/10 às 19:30h

No SESC Cineclube Silenzio.

A entrada é gratuita.

15.10.08

18/10 - O Vídeo de Benny (Michael Haneke)

Neste Sábado dia 18/10 às 19:30h
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA


Adolescente de família rica, Benny compensa a ausência dos pais com as emoções do mundo dos vídeos. Aos poucos, sem que as pessoas percebam, seus valores e noções de realidade começam a mudar. Aproveitando que seus pais estão no campo, ele leva uma garota para passar o final de semana no apartamento. O que começa como um tímido 'love story' termina em catástrofe. A vida da família nunca mais será a mesma.
diretor Michael Haneke roteiro Michael Haneke fotografia Christian Berger música J. S. Bach elenco Arno Frisch, Angela Winkler, Ulrich Mühe, Ingrid Strassner produtora Vega, Filmproduktion GmbH. Longa-metragem - 105 min. minutos Col.
O que segue é desaconselhável para menores de 10 anos.

Vander Colombo

"A violência está em todo lugar,

não é por causa do álcool, nem é por causa das drogas.

A violência é nossa vizinha,

não é só por culpa sua, nem é só por culpa minha,

violência gera violência"

(Titãs - Música: Violência –

Álbum: Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas, 1990)

A vítima é uma garota de 15 anos. Morta com vários disparos de pistola de ar comprimido, a mesma arma usada no abate de animais. O autor dos disparos, um garoto da mesma idade, filho de um de um grande empresário da cidade. O garoto filmou a morte da menina, diz-se que incentivado pela exposição demasiada a filmes violentos.

O que parece uma daquelas notícias que se vê todos os dias nos jornais é a premissa básica do filme O Vídeo de Benny do austríaco Michael Haneke. Aliás, Haneke não fez apenas um estudo sobre a violência, mas quase que uma filmografia toda recorrendo ao embasamento de nomes como Locke, Hobbes, Foucault entre outros. Na verdade cada um de seus filmes fala de algum tipo de violência, seja ela física ou psicológica. A trilogia da incomunicabilidade (que além desse, conta com O Sétimo Continente e 71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso que falam respectivamente de um pai de família que num momento de dificuldade lentamente organiza seu suicídio e a morte da família, e de uma amalgama de cenas de vida aparentemente desconectadas que são afetadas pelas notícias de jornais televisivos.) juntamente com títulos como Violência Gratuita (que recentemente foi refilmado pelo próprio diretor nos EUA), A Professora de Piano e O Tempo do Lobo conseguem fazer uma grande tese sobre a violência moderna recorrendo tão pouco a cenas de violência gráfica que deve enrubescer diretores que se dedicam a mesma função fazendo espetáculos gore.

Porém, nenhuma das abordagens de Haneke são simples ou diretas como a premissa do primeiro parágrafo indica. O diretor está mais preocupado em fazer cada espectador fazer sua própria teoria do que tentado explicar a gênese da violência como conhecemos. Seria fácil dizermos que Benny cometeu assassinato por gostar de filmes violentos como comumente a televisão de nossas Américas gosta tanto de fazer, entretanto, algo que Haneke bate forte sem julgar é a indiferença dos pais que se orgulham da liberdade dada aos filhos, ao se unir os dois motivos mais nítidos nasce o vídeo preferido de Benny que mostra a morte de um porco, filmado por ele mesmo numa das fazendas do pai, neste caso pode-se ter um entendimento da auto-crítica de Haneke perante os cineastas e a liberdade ditatorial de impor seu ângulo de visão aos seus espectadores.

Haneke sabe como poucos que a violência inerente exposta em ficção por vezes funciona como alerta, dependendo de como ela é explorada. E sua principal crítica à mídia de um modo geral é a violência real sendo tratada pejorativamente, principalmente em tele-jornais.

Por conta disso, se pensarmos de um modo amplo a crítica pode ser levada à própria piada de avisos antes da novela que a mesma é desaconselhável a menores de 12 anos, não diminuindo um único ponto de Ibope já que poucas crianças assistem à novela das nove, enquanto programas regionais durante o almoço mostram jornalistas pregando mensagens nazi-fascistas disfarçadas de conservadorismo, mostrando entre um corpo crivado de balas e outro decapitado, comerciais de brinquedos e apresentadores “engraçadões”, sem uma única mensagem correndo no piso da tela dizendo que toda essa atrocidade midiática ao menos não representaria a opinião da emissora. Uma simples questão de liberdade versus responsabilidade.

O filme O Vídeo de Benny será exibido dia 18/10 às 19:30h

No SESC Cineclube Silenzio.

A entrada é gratuita.

9.10.08

11/10 - O Túmulo dos Vagalumes

Neste Sábado dia 11/10 às 19:30h
No SESC Cinclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA




O Túmulo dos Vagalumes
(Hotaru No Haka, 1988)

» Direção: Isao Takahata
» Roteiro: Akiyuki Nosaka (romance), Isao Takahata
» Gênero: Animação/Drama/Guerra
» Origem: Japão
» Duração: 93 minutos
» Tipo: Longa

» Sinopse: Uma trágica história sobre dois irmãos - Setsuko e Seita - que vivem no Japão durante a época da guerra que, após tornarem-se órfãos por causa do conflito (sua mãe morreu e seu pai está desaparecido), vão parar na casa de parentes. As coisas pioram quando acabam tendo que ir viver em um abrigo no meio do mato. Quando Setsuko, a irmãzinha caçula, adoece gravemente, seu irmão deve se virar para conseguir ajuda para a menina, mas os tempos são difíceis e mesmo um pouco de comida pode ser difícil encontrar.

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"Por que os vaga-lumes tem de morrer tão depressa?"

Vander Colombo

“Os filmes japoneses têm a beleza suspeita de alguns cadáveres.

Fica-se, às vezes, pasmo de tanta crueldade.

Procura-se a fonte na longa intimidade com o sofrimento...”

Chris Marker

Tinha prometido para mim mesmo que este ano escalaria uma animação para o cineclube, até para tirar aquela idéia de que animação é coisa de criança, dada a preponderância das obras da Disney em nosso mercado cascavelense de Home Vídeo.

A história vem mudando até porque as animações em 3D de estúdios como a Pixar tem mudado essa história e atingindo até mais adultos do que as crianças que os acompanham. Porém os mestres da 2D ainda são os japoneses. Devo confessar que não sou lá um entusiasta do anime em capítulos, por vezes lembram-me novelas. Mas é preciso admitir que não só a arte nipônica do desenho animado como a profundidade psicológica de suas personagens são incomparáveis. De um modo geral, os animes são frutos de mangás (histórias em quadrinhos japonesas) ou hentai (histórias em quadrinhos japonesas eróticas), e generalizando tratam de samurais/lutadores de artes marciais com superpoderes, colegiais excitadas ou bichinhos fofinhos que causam ataques epiléticos.

A história muda em grandes clássicos da animação japonesa como Akira, A Viagem de Chihiro e este O Túmulo dos Vagalumes. Este último, de 1988, dirigido por um dos mestres da animação Isao Takahata. O Túmulo dos Vagalumes conta a história de Seita e Setsuko, dois irmãos sozinhos em plena Segunda Guerra Mundial, o pai, lutando pela marinha está desaparecido, a mãe morreu num bombardeio, a partir daí Takahata traça um conto de fadas que rara vezes se viu, seja em animação ou live action, bater tanto às portas da realidade nua e crua, a história não poupa as duas crianças das mazelas do tempo de guerra.

Um nó na garganta que dure dias não é incomum ao final do filme, tanto que muitas pessoas declaram terem adorado o filme, mas evitam assisti-lo novamente, tamanha a crueldade exercida sobre o olhar infantil ao fitar a guerra, porém nada é em exagero, nada é inverossímil, nada é gratuito.

A tristeza e a crueldade segundo a poesia cinematográfica de Chris Marker, Sans Soleil, é explicada por Bashô ainda no Séc. XV: "O salgueiro enxerga invertida a imagem da garça", uma maneira de se libertar dos próprios horrores de Hiroshima e Nagasaki, e “Para exorcizar o horror que tem rosto e nome, é preciso conceder-lhe outros atributos (...) e exigir que até a dor se enfeite”. Por conta disso, a “beleza suspeita dos belos cadáveres” reside nas cores fortes, nos olhos grandes e distantes do olhar estreito oriental, mas transmite as mesmas verdades que outrora outros ideogramas já relatavam. O horror agora sem rosto ou nome declarado ainda tem garras, ainda presas, só lhe falta a etiqueta vertical. Só nos comprova que olhos redondos ou apertados apesar da cultura heterogênea, carpem-se da mesma maneira.

“Para nós, o sol só é sol se estiver brilhante;

Uma fonte só a é, se for límpida.

Aqui, adjetivar equivale a colocar nas coisas etiquetas com seus preços,

A poesia japonesa não qualifica.”

Idem.

O filme “O Túmulo dos Vagalumes” será exibido dia 11/10 às 19:30h

No SESC Cineclube Silenzio. A entrada é gratuita.

30.9.08

04/10 - Velvet Goldmine (Todd Haynes)

Neste Sábado dia 04/10 às 19:30h
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA


seta3.gif (99 bytes) Ficha Técnica
Título Original: Velvet Goldmine
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 123 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra):
1998
Estúdio: Channel Four Films / Miramax Films / Killer Films Distribuição: Miramax Films / Filmes da Mostra
Direção: Todd Haynes
Roteiro: Todd Haynes, baseado em estória de Todd Haynes e James Lyons
Produção: Christine Vachon
Música: Carter Burwell e Radiohead
Direção de Fotografia: Maryse Alberti
Desenho de Produção: Christopher Hobbs
Direção de Arte: Andrew Munro
Figurino: Sandy Powell
Edição: James Lyons


seta3.gif (99 bytes) Elenco Jonathan Rhys-Meyers (Brian Slade)
Ewan McGregor (Curt Wild)
Christian Bale (Arthur Stuart)
Toni Collette (Mandy Slade)
Eddie Izzard (Jerry Devine)
Emily Woof (Shannon)
Michael Feast (Cecil)
Janet McTeer (Narradora - voz)
Luke Morgan Oliver (Oscar Wilde - 8 anos)
Osheen Jones (Jack Fairy - 7 anos)
Micko Westmoreland (Jack Fairy)
Don Fellows (Lou)
Ganiat Kasumu (Mary)
Ray Shel (Murray)
Alastair Cumming (Tommy Stone)



seta3.gif (99 bytes) Sinopse Em 1971, o glam rock invade o mundo da música britânica, provocando uma verdadeira revolução, não apenas na música mas também nos costumes da sociedade. O ícone do movimento é Brian Slade (Jonathan Rhys-Meyers), roqueiro que leva garotas e rapazes a pintarem as unhas, usarem batom e explorarem sua sexualidade. Incapaz de lidar com a fama adquirida, Brian forja sua própria morte, com a farsa sendo descoberta logo depois. Anos mais tarde, um jornalista inglês (Christian Bale) começa a investigar seu desaparecimento. ==================================================================

Consegue me ouvir Major Tom?

Vander Colombo

“When you growing up in a small town

Bad skin, bad eyes, gay and fatty

People look at you funny”

Lou Reed

“Tudo o que reluz é gay” dizem em certo ponto as manchetes nos jornais em Velvet Goldmine de Todd Haynes. É preciso dizer em primeiro lugar que o filme tenta traçar o percurso do abalo causado pelo chamado Glam Rock, leia-se: David Bowie (Ziggy Stardust and The Spiders From Mars), Iggy Pop (The Stooges), Lou Reed (Velvet Underground), Brian Ferry (Roxy Music) entre outros. Aliás Bowie seria a personagem principal do filme não fosse o fato de ele não ter gostado nada da história e nem mesmo ter liberado os direitos de uso de suas músicas para o filme, Reed, Pop e Ferry seguiram o caminho inverso.

Apesar dos nomes terem sidos quase todos trocados, é mais do que óbvio a caracterização de Jonhatan Rhys-Meyers como Bowie, e Ewan McGregor como uma mistura de Iggy Pop com Lou Reed pendendo visualmente mais para o primeiro.

O estudo de época do filme de Haynes beira a perfeição, seja na direção de arte seja na discussão social de uma época que transformou sexualidade em objeto de consumo desde então. “Hoje eles são gays assim como na década passada a moda era ter um disco do Led Zeppelin em baixo do braço” diz um músico numa fase mockumentário dentro do filme, completado pelo personagem de McGregor, “eles se dizem gays, mas não podem transar como gays, tentam, mas não conseguem”.

O fator da época nem mesmo era a homossexualidade em si, mas a libertação sexual em sua totalidade, uma espécie de upgrade do que já havia feito os hippies anos antes. A bissexualidade ou o termo mais tarde cunhado como pan-sexualidade seria mais indicado para a busca da época (uma coisa tipo, “Ei baby, vá dar uma volta no lado selvagem”), não que isso fosse novidade, porém se intensificou junto com a maior praga do rock n’ roll atemporal, o marketing.

Tirando isso, a busca é a mesma do rock desde quando nasceu: o sexo. Seja ele como for. E nesse ponto o Glam Rock é a fase mais erótica e fascinante desde a primeira rebolada de Elvis. E as drogas. É lógico, tinham as drogas para completar a tríade, agora já mais garantidas como matéria-prima de canções desde que Velvet Underground compôs letras sobre heroína enquanto os Beatles ainda faziam baladas românticas (o que mudou após Revolver como todos sabem) ajudando a nascer o movimento punk.

Dentro da trajetória da trama do filme, nos dias atuais, um jornalista britânico (Christhian Bale) é incumbido de descobrir o paradeiro de astro do Glam que desaparecera após forjar a própria morte, dentro da investigação jornalística a lá Cidadão Kane, os flash-backs nos jogam direto a uma jornada de movimentos de sexualidade desde Oscar Wilde até a era dos Mods Dândis, revelando não só a arte como a hipocrisia do jogo de compra-e-venda de modismos em forma de bonecos e souvenires de seus artistas preferidos.

Hipocrisia mais viva do que nunca, seja no representa a MTV, seja de Britney Spears a t.A.t.u. e é justamente esse o gosto amargo que o filme deixa transparecer ao seu final. O comercialismo continua firme, porém sem um pingo da genialidade que já teve. Numa transmissão radiofônica repleta de chios, veementemente ignorada no local, toca baixinho 2 H.B. do Roxy Music como que querendo um contato de evocação de seu monstros sagrados para que levantem voltando ao underground fazer aquele tipo de barulho que todos esperam que seja feito. Imagem não é nada...

Controle Terrestre para Major Tom

Controle Terrestre para Major Tom

Pegue suas pílulas de proteínas e coloque seu capacete

Controle Terrestre para Major Tom

Começando contagem regressiva e motores ligados

Checar ignição e que Deus esteja com você

Esse é o Controle Terrestre para Major Tom

Você realmente teve sucesso

E os jornais querem saber que tipo de camisetas que você usa

Agora é hora de sair da cápsula

Se você tiver coragem

Aqui é Major Tom para Controle Terrestre

Estou dando um passo pra fora da porta

E estou flutuando no jeito mais peculiar

E as estrelas parecem muito diferentes hoje

Daqui

Estou sentado num pedaço de lata

Bem acima do mundo

A Terra é azul

e não há nada que eu possa fazer

Porém eu ultrapassei cem mil milhas

Estou me sentindo bem calmo

E eu acho que minha nave espacial sabe onde ir

Diga pra minha mulher que eu a amo muito

Ela sabe

Controle Terrestre para Major Tom

Seu circuito pifou

Há algo errado

Consegue me ouvir Major Tom?

Consegue me ouvir Major Tom?

Consegue me ouvir Major Tom?

Consegue me...

Aqui estou eu flutuando em volta de pedaço de lata

Bem acima da lua

A Terra é azul...

e não há nada que eu possa fazer[1]

O filme Velvet Goldmine será exibido neste sábado dia 04/10 no SESC Cineclube Silenzio.

A entrada é gratuita.


[1] Space Oddity (David Bowie)

24.9.08

Neste sábado dia 27/09 às 19:30h
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA




Título Original: Festen / Celebration

Gênero: Drama

Origem/Ano: DIN/1998

Duração: 105 min

Direção: Thomas Vinterberg

Elenco:

Ulrich Thomsen... Henning Moritzen... Thomas Bo Larsen... Paprika Steen... Birthe Neumann... Trine Dyrholm... Helle Dolleris... Therese Glahn... Klaus Bondam... Bjarne Henriksen... Gbatokai Dakinah... Lasse Lunderskov... Lars Brygmann... Lene Laub Oksen... Linda Laursen...

transp.gif (45 bytes)Christian Klingenfeldt transp.gif (45 bytes)Faderen transp.gif (45 bytes)Michael transp.gif (45 bytes)Helene transp.gif (45 bytes)Moderen / Mother transp.gif (45 bytes)Pia transp.gif (45 bytes)Mette transp.gif (45 bytes)Michelle transp.gif (45 bytes)Toastmasteren transp.gif (45 bytes)Kokken / Cook transp.gif (45 bytes)Gbatokai transp.gif (45 bytes)Onklen / Uncle transp.gif (45 bytes)Receptionisten transp.gif (45 bytes)Søsteren / Sister transp.gif (45 bytes)Birthe

Sinopse: Durante o aniversário de 60 anos do patriarca dos Klingenfelt é organizada uma grande festa para seus parentes num hotel de luxo. Um grande escândalo se anuncia em pleno banquete, quando seu filho mais velho resolve acusá-lo de abuso sexual na infância.

16.9.08

20/09 - O Homem Elefante (David Lynch)

Neste sábado dia 20/09 às 19:30
No SESC Cineclube Silenzio
Entrada Gratuita




Uma assustadora aberração de circo, John Merrick (John Hurt - Hellboy, Dogville, Harry Potter e a Pedra Filosofal) é rotineiramente humilhado por seu mestre Bytes (Freddie Jones - Firefox, Duna, Erik o Viking). Mas Frederick Treeves, um famoso cirurgião (Anthony Hopkins - Alexandre, A Máscara do Zorro, O Silêncio dos Inocentes), fica fascinado por aquele personagem grotesco e o leva para o hospital em que trabalha. Fora daquele ambiente hostil, o médico vai descobrir que, a despeito de sua aparência incomum, Merrick é um ser humano sensível, inteligente e gentil.

O diretor David Lynch (Duna, Veludo Azul, A Estrada Perdida) usa a história verdadeira da vida de John Merrick para explorar o profundo desespero de uma alma que inspira fascinação e ao mesmo tempo repulsa. Um filme poderoso, merecedor do status de obra de arte, vencedor de muitos prêmios, incluindo indicações para 8 Oscar®.

Gênero Drama
Atores Anthony Hopkins, John Hurt, Anne Bancroft, John Gielgud, Wendy Hiller, Freddie Jones, Michael Elphick, Hannah Gordon, Helen Ryan, John Standing,
Direção David Lynch,
Idioma Inglês,
Legendas Português
Ano de produção 1980
País de produção Estados Unidos, Inglaterra,
Duração 124 min.
Para ler o texto de Laysmara, acesse os comentários