30.9.07

FUGU - Espetáculo Beneficente

Pessoal, sábado terá cineclube e o filme será Amores Brutos (México)
Mas quinta-feira precisamos muito da ajuda de vocês, estamos tentando fazer as coisas funcionarem aqui em Cascavel no lado da cultura, principalmente para artistas independentes, para isso funcionar montamos uma Associação Cultural que envolve todos as ramificações da arte, cinema, teatro, música, dança, artes plásticas, circo e literatura.
Para conseguir arrecadar dinheiro para a fundação dessa associação realizaremos o espetáculo benificente FUGU, quinta feira dia 04/10 a partir das 20hrs, o evento terá apresentações de cinema, teatro, dança, música (jazz, rock, mpb) entre outras coisas.
O ingresso é apenas 5 reais e com toda a certeza além da diversão proporcionada no próprio espetáculo, a associação irá se transformar numa multiplicação de eventos que assim como o SESC Cineclube Silenzio, que trará a vocês um infinidade de escolhas para o benefício cultural de nossa cidade e região.
Contamos com vocês.
Nos vemos na quinta.

E TAMBÉM:



SESC traz musical da vida de Antônio Maria a Cascavel


Após ter se apresentado por quase todo o país, o musical "Antônio Maria – A noite é uma criança", do Núcleo Informal de Teatro (RJ), chega a Cascavel com a 3ª etapa do projeto Palco Giratório do SESC. O espetáculo acontece dia 05 de outubro, às 20 horas, no Centro Cultural Gilberto Mayer. A entrada custa R$ 5 (comerciários, estudantes e idosos) e R$ 8 (Não-comerciário) e pode ser adquirida antecipadamente no SESC.
Considerado uma das dez melhores montagens do ano pelo jornal O Globo, o espetáculo conta a história do jornalista que desenvolveu inúmeras atividades profissionais como escritor, compositor e locutor esportivo, e que ficou conhecido como o rei das rádios pelos brasileiros da década de 1950. “O musical é uma crônica de um Brasil que há muito tempo deixou de existir“, revela a crítica. Com autoria do ator Marcos França e direção de Joana Lebreiro, a história acontece em um bar do Rio de Janeiro. Três boêmios resgatam, de forma informal e divertida, composições de Antônio Maria e histórias remanescentes daquela época, envolvendo no roteiro muita História e canções que marcam a boemia brasileira. Intercaladas com alguns fatos marcantes da noite e do futebol, o espetáculo relembra também as “benditas moças” que marcaram a vida do compositor.
Múltiplas facetas – Aracy de Almeida, Ary Barroso e Vinícius de Moraes foram algumas das requisitadas parcerias que Antônio Maria possuía. Nascido em Recife, ele viveu 43 anos (1921-64), mas nunca publicou um livro sequer. Suas crônicas foram resgatadas posteriormente à sua morte em três livros: “Com Vocês”, “Antônio Maria, Pernoite” e “O Jornal de Antônio Maria”.
Seu primeiro emprego foi aos 17 anos como apresentador de programas musicais na Rádio Clube Pernambuco e, dali adiante, conquistou inúmeros postos de importância no cenário nacional. Em 1951, o recifense multitalentoso foi convocado por Assis Chateaubriand para ser o primeiro diretor de produção da TV Tupi, recentemente inaugurada.
Além disso, ainda foi locutor esportivo na Rádio Ipanema (RJ), na Rádio Clube do Ceará (CE), assinou colunas nos jornais O Globo e A Última Hora, apresentou os programas televisivos "Preto no Branco" e "Rio, Eu Gosto de Você", dirigiu as Emissoras Associadas (BA), entre outros.

Mais informações sobre o espetáculo pelo telefone 3225-3828 (SESC) Oficina – Os atores do Núcleo Informal de Teatro (RJ), Alexandre Danta e Cláudia Ventura, ministram no sábado (06), das 8h30 às 18 horas, a oficina “O narra-ator”. No curso serão debatidos assuntos voltados às artes cênicas como linguagens dramáticas, narrativas, construção do personagem numa encenação.
Segundo o cronograma, o objetivo é que esse processo criativo seja experimentado partindo de três pontos diferentes: da simples descrição de um personagem, de trechos de um texto dramático e de um texto literário. “Ao final, será possível observar os limites e a tensão entre o contar e o vivenciar, entre a descrição e a verossimilhança”, explicam os atores.
A aula é dirigida a todos os interessados e será realizada no SESC (Rua Carlos de Carvalho, 3367).
As inscrições custam R$ 10 (R$ 5 para comerciários e estudantes), podendo ser feitas no próprio SESC ou pelo telefone (45) 3225-3828.

SERVIÇO Musical “Antônio Maria – A Noite é uma Criança”, Núcleo Informal de Teatro (RJ)
Sexta-feira, dia 05 de outubro
20 horas
Centro Cultural Gilberto Mayer
Ingressos a R$ 5,00 (Comerciários, estudantes e idosos) e R$ 8,00 (Não-comerciário)
Mais informações sobre o espetáculo pelos telefones ou 3225-3828 (SESC).


OFICINA Sábado, dia 06 de outubro SESC Das 8h30 às 18 horas Inscrição a R$ 5,00 (Comerciários, estudantes e idosos) e R$ 10,00 (Não-comerciário) Informações pelo telefone (45) 3225-3828 (SESC)

24.9.07

Violência Gratuita (Michael Haneke) 1997

Neste sábado dia 29/09

às 19;30hrs

Entrada Gratuita

É o começo das férias. Anna, Georg e seu filho pequeno partem para uma bela casa à beira de um lago. Fred e Eva, os vizinhos, já chegaram. Tudo está tranqüilo. Enquanto Georg e o menino se ocupam com o barco, Anna é surpreendida pela chegada de Peter, rapaz que aparentemente está hospedado na casa dos vizinhos.


Seria apenas mais um filme de suspense não fosse a singular destreza do diretor Michael Haneke em colocar em xeque a banalização da violência. Ao denunciar a estetização da violência, como já havia feito em O Vídeo de Benny, ele questiona a pretendida inocência do espectador-cúmplice, por meio de uma sucessão de momentos de emoção e análise, levando-o a tomar consciência de seu próprio papel. A mesma violência que eleva índices de audiência na TV e garante bilheterias milionárias nos cinemas ganha dimensões assustadoras neste filme de Haneke, do qual certamente ninguém vai sair indiferente.



Ficha Técnica

DIREÇÃO:

Michael Haneke


ROTEIRO:
Michael Haneke


FOTOGRAFIA:
Jürgen Jürges


MONTAGEM:
Andreas Prochaska


ELENCO:
Susanne Lothar, Ulrich Mühe, Frank Giering, Arno Frisch


PRODUTOR:
Veit Heiduschka


PARTICIPAÇÃO EM FESTIVAIS:
Cannes

TÍTULO ORIGINAL:
Funny Games

Col., 103 min., 1997


Sobre o diretor

Nascido em Munique, em 1942, Michael estudou Filosofia, Psicologia e Teatro em Viena. Começou sua carreira como dramaturgo, escrevendo diversas peças teatrais para a Südwesfunk. Em 1970, passa a trabalhar como diretor e roteirista independente. Entre seus trabalhos se destacam: O Sétimo Continente (Der Siebente Kontinent), seleção da 13ª Mostra e premiado com o Leopardo de Bronze em Locarno/89, O Vídeo de Benny (Benny's Video), exibido na 16ª Mostra, e 71 Cronologias do Acaso (71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls), selecionado para a 18ª Mostra. Fez também o roteiro de Cabeça de Mouro, seleção da 19ª Mostra.

17.9.07

O Bebê Santo de Macon (1993) Peter Greenaway

Neste sábado dia 22/09 às 19:30hrs Entrada Gratuita
Em 1659, em meio a uma praga de fome, um mulher tida como virgem engravida, fazendo com que a população local acredite que possa ter ocorrido uma intervenção divina. Dirigido por Peter Greenaway (Afogando em Números) e com Julia Ormond e Ralph Fiennes no elenco.
Peter Greenaway constrói aqui a parábola da inocência ultrajada. Em 1659, uma criança tida como santa sofre, primeiro, a exploração da própria irmã, obcecada pela idéia de identificação com a Virgem Maria. Em seguida, a família é substituída por outra instituição, a Igreja, interessada em conseguir dinheiro e adquirir relíquias sagradas para a Catedral de Macon. O martírio do infante transforma-se em peça, encenada em um teatro de cidade do interior. Durante a montagem, atores e público interagem, confundindo os limites entre palco e platéia.
O BEBÊ SANTO DE MACON "The Baby Of Macon"
Direção: Peter Greenaway
Roteiro: Peter Greenaway
Fotografia: Sacha Vierny
Montagem: Chris Wyatt
Produção: Kees Kassander
Elenco: Julia Ormond, Philip Stone, Ralph Fiennes, Jonathan Lacey
Cor, 35mm, 119 min
Holanda / Inglaterra / França, 1993

10.9.07

25 Watts (Rebella & Stoll) 2001



Neste sábado dia 15/09 às 19:30hrs


ENTRADA GRÁTIS




Juan Pablo se foi muito cedo - aos 32 anos. Deixou dois dos considerados melhores filmes uruguaios. (25 Watts & Whisky). A atmosfera de Montevidéu toma conta de nossa percepção. Roteiro e direção primorosos.


SINOPSE

Três jovens em uma manhã de sábado bebem cerveja e perambulam pelas ruas de Montevidéu. Os diretores tratam com humor os personagens e suas histórias sem saída e sem futuro. Premiado com o Tiger Award, no Festival de Rotterdam. Exibido em competição no Festival de Gramado 2001.



25 Watts, nas palavras de Rebella: "25 Watts é um filme de muito baixo orçamento, que rodamos em 16mm. De certa forma, é um filme autobiográfico, que narra um dia na vida de três amigos. 25 Watts não tem exatamente uma trama, mas sim várias cenas em planos longos, com muito humor e também um pouco de melancolia e saudade. Levamos este filme ao festival de Roterdã, foi nossa primeira vez num festival. Foi um grande sucesso, fomos premiados em Havana e muitos outros festivais". Clique aqui e leia íntegra da entrevista.




Uruguai (2001) Pb, Comédia/Drama, 92 minutos


8.9.07

RECESSO

Informamos que neste sábado, 08/09 NÃO HAVERÁ sessão devido o recesso do último dia 07. semana que vem continuamos com a programação normal.

3.9.07

CICLO CINEMA NACIONAL

Primeiro Ciclo no SESC Cineclube Silenzio dedicado ao Cinema Brasileiro

Sempre às 19:30hrs, Sempre GRÁTIS




SEGUNDA DIA 03/09


A MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA



O cruel e sádico coveiro Zé do Caixão, temido e odiado pelos moradores de uma cidadezinha do interior está obsecado em conseguir gerar o filho perfeito, aquele que possa dar continuidade ao seu sangue! A sua mulher não consegue engravidar e ele acredita que a namorada do seu melhor amigo é a mulher ideal que procura. Violada por Zé do Caixão, a rapariga quer cometer suicídio para regressar do mundo dos mortos e levar a alma danada daquele que a violou.



Dir.: José Mojica Marins


Elenco: José Mojica Marins, Magda Mei, Nivaldo de Lima, Ilídio Martins.


1963, Preto e branco, 81 minutos




TERÇA DIA 04/09


BOLEIROS - ERA UMA VEZ O FUTEBOL



Boleiros - Era Uma Vez o Futebol resgata a emoção do jogo. O futebol é o esporte mais apaixonante de todos, ele consegue unir raças, idéias e ideais num mesmo objetivo: torcer pelo seu time ou seleção. No Brasil, ele é muito mais do que um esporte, ele é política, economia, sociologia e paixão. No filme, todas essas características são muito bem evidenciadas por Ugo Giorgetti. A história toda se passa numa mesa de um bar em São Paulo, lugar perfeito para se discutir futebol, onde um grupo de ex-jogadores se reúne para lembrar o passado e comentar o presente.

Lá eles contam muitas histórias de suas vidas, que exemplificam um pouco do folclore que envolve o nosso futebol. Histórias como a do juiz ladrão, que é obrigado a roubar para os donos da casa, porque aceitou um dinheirinho por trás, mas o jogador insiste em não cooperar.

Histórias de fé, como o atleta que estava machucado e nada o fazia melhorar. Seu time, o Corinthians, ia mal das pernas... e então um grupo de torcedores resolve levá-lo para um curandeiro. O final da história nem é preciso contar. O filme conta histórias como essas, mas também mostra o lado social e de sonhos do futebol. O craque Azul, que surgiu de família pobre, conseguiu sucesso, chegou à seleção brasileira e foi humilhado nas ruas por policiais, porque estava num carro de luxo, à noite e era preto... Histórias do garoto craque de bola, pobre, mas que o tráfico levou embora. Situações engraçadas, como a do jogador garanhão do Palmeiras, que enganava o técnico na concentração, para conseguir aproveitar os solitários momentos no hotel, bem acompanhado, além das famosas mesas redondas das TVs, que sempre falam a mesma coisa!

Boleiros traz também uma visão realista e ao mesmo triste, do ex-jogador de futebol, que quando largou os gramados, não sabia mais fazer nada. Do craque que não conseguia andar nas ruas e que virou um mero desconhecido, antes amado e hoje esquecido pelas multidões, ainda correndo atrás de fama. O filme não é indicado somente para quem gosta de futebol. É indicado para pessoas que querem conhecer a dura realidade da vida, que não é feita só de sonhos e fantasias. Mas, acima de tudo, Boleiros - Era Uma Vez o Futebol, é um filme imperdível para qualquer idade, e, principalmente, para os amantes e saudosistas do futebol.



Direção: Ugo Giorgetti
Elenco:Adriano Stuart .... Otávio - Flávio Migliaccio .... Naldinho - Otávio Augusto .... Virgílio - Cássio Gabus Mendes .... Zé Américo - Rogério Cardoso .... Ex-árbitro - João Acaiabe .... Ari - André Abujamra .... Pai Vavá - Cazé Pecini .... Locutor de rádio - Oswaldo Campozana .... Tito - Lima Duarte .... Técnico - André Bicudo .... Caco - Aldo Bueno .... Paulinho Majestade - César Negro .... Mamamá - Paulo Coronato .... Fabinho Guerra - Elias Andreato .... Médico Cléber Colombo .... Azul - Denise Fraga .... Esposa de Azul - Antonio Grassi .... Empresário de Azul -Bruno Giordano .... Editor - Eduardo Mancini .... Torcedor do Corinthians - Róbson Nunes .... Torcedor do Corinthians - Pancho .... Torcedor do Corinthians - João Motta .... Pivete - Marisa Orth

1998, Cor, 90 minutos


QUARTA DIA 05/09


VIDAS SECAS



Muitas das vezes a transposição da literatura para a 7ª arte tem a desejar em certos pontos, talvez pela extensão do livro que de certa forma se torna inviável para o cinema, ou talvez pela essencialidade e caracterização que é muito mais acessível e detalhista no papel. Esse não é o caso de Vidas Secas, obra máxima do alagoano Graciliano Ramos que concebeu a incumbência de realizar o filme sobre seu livro a um dos maiores cineastas brasileiros, Nelson Pereira dos Santos.
Em 1955 o cineasta filmou Rio 40 Graus, filme precursor que deu origem posteriormente há um dos principais movimentos cinematográficos brasileiros, o Cinema Novo. Gênero que tinha como uma de suas principais características expor a cultura, o folclore brasileiro como vertente máxima do cinema nacional. Foi somente oito anos depois, quando Nelson tinha seus 35 anos de idade que lhe surgiu a oportunidade de adaptar a obra literária de Graciliano Ramos para o cinema e demonstrar toda a sua habilidade fílmica como diretor e roteirista.
O livro/filme conta a estória de uma família de retirantes nordestinos, composta por Fabiano (Átila Iório), sua mulher Sinhá Vitória (Maria Ribeiro) e seus dois filhos. Além destes, completam marginalmente a família, a lendária cachorra Baleia e um papagaio. A vida no sertão nordestina é muito dura, o começo se dá de forma trágica, os integrantes da família fugindo da seca que castiga a região, se vêem obrigados a matar o papagaio que serve de alimento a família(no ano de 2002, foi feito um curta-metragem, Como se Morre no Cinema, que narra a história do papagaio que participou das filmagens de "Vidas Secas" em 1962, e da cachorra Baleia, mostrando bastidores do filme e depoimentos de cineastas).
Após contínua e exaustiva caminhada pela área nordestina, encontram uma fazenda abandonada, à qual futuramente passará a ser a moradia temporária do grupo. Fabiano consegue um emprego de vaqueiro e a família de certo ponto se vê instalada nas mediações da fazenda. A região parece amaldiçoada, seria o Inferno? Muita pobreza, seca, fome além de outros problemas agravam a vida de um homem, ignorante sem igual, analfabeto, humilde, ingênuo que no final das contas, a única coisa que quer é um meio digno para sobreviver no meio a terra do sol. Contexto típico de muitos nordestinos, história comum a milhões de brasileiros, que depois de muita procura e tentativas pelo sertão partem para o sul em busca de uma vida melhor.
Um detalhe importante para o entendimento do filme é uma analise semiótica sobre a cachorra Baleia, primeiro personagem a aparecer no filme e de certo modo, o mais inteligente e humano da obra. Membro essencial da família, uma das únicas diversões aparentes dos meninos, é bastante discriminada, fica sempre com os restos de comidas, e se contenta com pouco. Ao final, muito magra e sem pêlo tem um fim trágico, polêmico e muito triste.
O contexto geográfico e histórico é muito similar a Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme de Glauber Rocha e ícone máximo do Cinema Novo, porém Vidas Secas tem um tom mais realista, documental. Nos Estados Unidos Stanley Kubrick é considerado o grande adaptador de livros, de maneira genial passou 2001: Uma Odisséia no Espaço, Laranja Mecânica, O Iluminado entre outros para a sétima arte. No Brasil, o grande adaptador é Nelson Pereira dos Santos que, além de Vidas Secas, também adaptou para os cinemas Jubiabá de Jorge Amado, Memórias do Cárcere e Tenda dos Milagres de Graciliano Ramos, além de Um Asilo Muito Louco, adaptação de O Alienista, livro de Machado de Assis.
Pouquíssimos diálogos, planos longos e lentos, focado na vida familiar e no convívio social, Vidas Secas assim como expressão máxima da habilidade escrita de Graciliano Ramos se torna talvez o melhor filme do cineasta Nelson Pereira dos Santos, com certeza o mais influente. Indicado à Palma de Ouro, um dos primeiros filmes do Cinema Novo em tese e na prática. Fotografia em preto e branco, característica que nos deixa com mais contraste à caatinga nordestina, enaltecendo a violência do sol. Infelizmente o filme não obteve sucesso imediato por aqui, demoraram cerca de três anos até circular pelos cinemas nacionais. Indicado pela British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca, o filme luta para não cair no esquecimento popular.

Direção: Nelson Pereira dos Santos
Ator/Atriz Personagem - Átila Iório - Fabiano - Maria Ribeiro - Sinhá Vitória - Orlando Macedo - Soldado Amarelo - Jofre Soares - Fazendeiro - Gilvan Lima - Garoto - Genivaldo Lima - Garota



1963, P&B, 103 minutos




QUINTA DIA 06/09


PIXOTE, A LEI DO MAIS FRACO



Pixote (Fernando Ramos da Silva) foi abandonado por seus pais e rouba para viver nas ruas. Ele já esteve internado em reformatórios e isto só ajudou na sua "educação", pois conviveu com todo o tipo de criminoso e jovens delinqüentes que seguem o mesmo caminho. Ele sobrevive se tornando um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino, mesmo tendo apenas onze anos.



Direção: Hector Babenco
Elenco: Fernando Ramos da Silva (Pixote) - Marília Pera (Sueli) - Jorge Julião (Lilica) - Gilberto Moura (Dito) - Edílson Lino (Chico) - Zenildo Oliveira Santos (Fumaça) - Cláudio Bernardo (Garatão) - Israel Feres David (Roberto Pie de Plata) - José Nílson Martins dos Santos (Diego) - Jardel Filho (Sapatos Brancos) - Rubens de Falco (Juiz) - Elke Maravilha (Débora) - Tony Tornado (Cristal) - Beatriz Segall (Viúva) - Ariclê Perez (Professora)



1981, Cor, 127 minutos

26.8.07

Eraserhead (David Lynch) 1977

Neste sábado dia 01/09 no SESC Cineclube Silenzio.

às 19:30hrs. Entrada Gratuita



Do comportamento dos personagens aos ambientes em que vivem e se deslocam, da deformidade e incompletude que marcam o rosto (a moça no palco do teatro), parte do corpo (o homem, ao lado de uma janela, com o corpo aparentemente queimado) e o corpo por inteiro (o filho de Henry e Mary), da forma como a câmera posiciona-se sobre o mundo e o modo como este mundo turvo, deslocado e particular se mostra em imagens, Eraserhead (1977, de David Lynch) não é apenas o filme de estréia do seu realizador. A cada seqüência e plano, onde a realidade se torna menos objeto do pensamento e mais um dado da visão, o mundo da câmera de David Lynch parece, permanentemente, em experimentação. Se, portanto, tem diretores que posicionam a câmera sobre o mundo, buscando, com isso, captar o tempo e o espaço que, naturalmente, o definem, o modo lynchiano prefere, antes de tudo, construir o seu próprio mundo, com sua estrutura temporal e espacial particular. Assim, não é da poética lynchiana apenas reproduzir o movimento de uma dada realidade em imagem, mas criar outros movimentos, realidades e imagens e, por extensão, outro mundo.

É, por assim dizer, diante de outro mundo fundado na imaginação de um autor, de outra realidade explorada por uma máquina de ilusão e sonho e de outra imagem moldada por um dispositivo ficcional poderoso, com seus personagens e ambientes peculiares, que senti Eraserhead no decorrer da projeção. Um mundo diferente do nosso, é verdade, mas ainda assim parte do mundo em que vivemos, reconhecível, por sua vez, no mundo no qual trafegamos e constitutivo dos nossos pesadelos, medos e angustias. Por isso mesmo, distante, mas, simultaneamente, nosso por sua proximidade, recusado e, ao mesmo tempo, ligado a nós pelas semelhanças que encerram. Diante de um filme com imagens paradoxais, talvez pelos objetos que nos causam uma certa estranheza apesar de serem parte, umbilicalmente, do nosso corpo, a experiência é de natureza, eminentemente, sensorial. Sobretudo porque, ao buscar o seu próprio universo, as matizes banhadas em luz e sombra dos seus ambientes e objetos e uma atmosfera, excessivamente, nervosa, a câmera de David Lynch precisava ter certeza do mundo que suas lentes criavam para nos dar a certeza do que sentíamos.

Quando, no início do filme, Henry (Jack Nance) se desloca por uma ambientação, aparentemente, marcada pelo abandono, sentimos a frieza e a atmosfera desoladora de sua arquitetura, com seus cômodos tomados por camadas mais escuras do que claras no acender e apagar de luzes. Talvez porque as locações por onde passa sejam pesadas e de natureza prisional, principalmente por sua fantasmagoria. Por isso, o espaço do primeiro trabalho de David Lynch aparenta a inexistência de estruturas humanas, tanto as que possibilitam o convívio entre os indivíduos quanto as que permitem sua sobrevivência. No entanto, apesar de traçado como mundo de fábricas, suas locações nos remetem sempre a um mundo desabitado. Assim, afora Henry, aquele é um lugar que parece não ter ninguém, sendo que, somente aos poucos, é que ele começa a ser povoado, primeiramente, pela família de Mary (sua namorada, em seguida mulher e mãe do seu “filho”) e sua família exótica. Entretanto, mesmo quando aparecem outros personagens além do núcleo familiar, David Lynch trabalha sempre a impressão do espaço em decadência, desabitado e último.

Neste espaço que, automaticamente, marca o outro mundo (específico e em esboço) da câmera lynchiana, o resultado é o filme-experimento - não, especificamente, no sentido estético, mas do cinema como laboratório. Portanto, em Eraserhead, o diretor americano David Lynch transforma seu filme numa experiência laboratorial, onde são acompanhadas certas instâncias do humano (como que em gestação ou, decadentemente, marcadas pela posteridade). Assim, ao inventar um mundo com seus personagens e espaços próprios, o modo lynchiano se aproxima, talvez, das preocupações características do primeiro trabalho: criar e, em seguida, observar como as partículas se movimentam. Daí porque, o tempo todo, a câmera está em posição de observação, colocando-nos, a cada cena, num estado ótico diante do universo de Henry, do seu comportamento e personalidade bastante bizarra. De modo que, quando David Lynch escolhe o núcleo familiar e seus entes para desenvolver sua experiência, o que se torna caro as suas lentes é, antes de tudo, a forma como lhe damos com a diferença mesmo que esta, umbilicalmente, seja parte e resultado do nosso corpo.




TRAILER:

21.8.07

Woody Allen

O diretor escolhido de nossa sessão especial de sábado dia 25/08 foi Woody Allen.



O SESC Cineclube Silenzio está comemorando seu primeiro semestre de existência e se o tempo ajudar sábado, teremos uma sessão ao ar livre abrindo com música ao vivo.



No sábado faremos uma última votação com três filmes do Woody Allen para que um seja escolhido e exibido.


Os três filmes são:



SONHOS DE UM SEDUTOR

(Play it Again, Sam) 1972

81 minutos


Allan Felix (Woody Allen), um crítico de cinema que consome filmes ansiosamente e idolatra "Casablanca", é abandonado por Nancy Felix (Susan Anspach), sua mulher, que quer o divórcio pois não agüenta mais a insegurança emocional dele. Incapaz de lidar com este momento conturbado da sua vida, Allan busca consolo nos filmes que ama enquanto imagina Humphrey Bogart (Jerry Lacy) lhe dando conselhos de como Allan deve lidar com as mulheres, sendo que estes conselhos são desprovidos de qualquer sutileza. Paralelamente, um casal de amigos, Dick Christie (Tony Roberts) e Linda Christie (Diane Keaton), tentam ajudar Allan lhe arrumando encontros com outras mulheres, mas todos resultam em total fracasso em virtude da insegurança e nervosismo de Allan. Finalmente Allan percebe que tem passado mais tempo com Linda do que com qualquer outra mulher e sente-se atraído por ela, pois é a única mulher que ele se sente realmente à vontade. Linda se mostra receptiva às investidas de Allan, pois Dick tem trabalhado tanto que ela se sente abandonada. Mas Allan carrega um sentimento de culpa, por estar amando a mulher de seu amigo.



BANANAS

(idem) 1971

82 minutos


Fielding Mellish (Woody Allen), um testador de produtos de uma grande firma, é apaixonado por Nancy (Louise Lasser), uma ativista política. Ele assiste manifestações e tenta provar da sua maneira que é merecedor do amor dela, mas Nancy quer alguém com maior potencial de liderança. Então Fielding vai para San Marcos, uma republiqueta na América Central, e lá se une aos rebeldes e, no final das contas, se torna o presidente do país. Durante uma viagem Fielding reencontra Nancy novamente e ela se apaixona por ele, agora que é um líder político.



NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA

(Annie Hall) 1977

94 minutos


Alvy Singer (Woody Allen), um humorista judeu e divorciado que faz análise há quinze anos, acaba se apaixonando por Annie Hall (Diane Keaton), uma cantora em início de carreira com uma cabeça um pouco complicada. Em um curto espaço de tempo eles estão morando juntos, mas depois de um certo período crises conjugais começam a se fazer sentir entre os dois.





Participe no sábado e leve o pessoal para ajudar na votação

14.8.07

O Discreto Charme da Burguesia (Luis Buñuel) 1972

Data: 18 de agosto


Horário: 19h30


ENTRADA GRATUITA



(Le Charme Discret de la Burgeoisie, Itália/Espanha/França, 1972)



Direção: Luis Buñuel


Elenco: Fernando Rey, Paul Frankeur, Delphine Seirig, Jean Pierre Cassel


Duração: 100 min


Mistura de situações reais da história com os sonhos e devaneios dos personagens. O filme se passa numa tarde onde alguns amigos se encontram para jantar. Crítica às situações e a hipocrisia da vida social burguesa.



O Discreto Charme da Burguesia é uma sátira surrealista do diretor Luis Buñuel construída sobre uma narrativa que mistura as situações reais da história com os sonhos e devaneios dos personagens. O filme se passa numa tarde onde alguns amigos se encontram para jantar. Uma crítica à classe privilegiada, satirizando as situações e a hipocrisia nos encontros sociais da burguesia. Foi aclamado pela opinião pública e mostra toda a supremacia e técnica de Buñuel como um dos maiores artistas, experimentalistas e satíricos diretores do cinema. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1972.




5.8.07

Fahrenheit 451 (François Truffaut) 1966

Neste sábado, dia 11/08 no SESC Cineclube Silenzio, 19:30hrs

Logo no começo de Fahrenheit 451, os créditos de abertura estão lá, mas não os lemos. Um narrador nos informa a ficha completa da equipe, atores, técnicos, diretor, sob imagens coloridas de diversas antenas de tevê espalhadas pelos telhados da cidade. Ali já sabemos que Truffaut quer colar a experiência de seu filme àquela mesma vivida no universo interior da narrativa, e se os personagens deste mundo futurista não podem ter acesso a qualquer tipo de material escrito, também o filme não o terá. Mais do que uma esperteza do diretor (o que não seria uma exceção, pois várias delas estão espalhadas por aqui), esta seqüência de créditos dará o tom da aproximação pretendida a essa história, na época já “mundialmente famosa” através do best-seller de Ray Bradbury. Interessa aqui menos uma fidelização ao relato original, onde acompanhamos o tormento de um agente da repressão que se vê envolvido com o próprio objeto que deveria combater, e mais a captura desta certa atmosfera atormentada que o trajeto do personagem criaria em torno de si. Não é à toa que este mesmo trajeto sofrerá uma alteração fundamental na relação entre livro e adaptação cinematográfica. Se com Bradbury já estaremos desde o começo instalados na perturbação de Guy Montag, ainda sem muitas razões mas claramente apontando para uma grande revolução pessoal (a primeira frase diz “Queimar livros era um prazer”, com o verbo no passado), Truffaut irá apresentar seu protagonista como um legítimo soldado do regime, obediente aos mandos de seu capitão, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa, cumprindo o dever de queimar livros com o prazer atualizado pelo tempo presente. Contra a narrativa vertical, o arco: uma transformação percebida pelo filme, de homem cego pela lei equivocada a defensor da causa literária, Fahrenheit 451, dantesco, vai do inferno ao paraíso, quer o elogio da iluminação.

Aquilo que Truffaut percebera como um clima repressor será integralmente absorvido pelo tecido do filme, e a operação conseqüente àqueles créditos iniciais falados será a filiação de Fahrenheit a um gênero clássico, ao suspense. A influência de Alfred Hitchcock é decisiva, e estamos aqui no início da relação pessoal que desembocaria na grande entrevista-livro lançada algum tempo depois, mas nem era preciso tanto. A trilha sonora ostensiva de Bernard Hermann, o modo de encenar seqüências banais como se por trás de cada uma houvesse a chave para o mistério da trama, até mesmo algumas citações literais, tudo está lá para anunciar esta grande influência, e também deixar evidente o quão difícil ela torna a vida do influenciado. Como repetiria dois anos depois na tentativa mais declarada de aproximação com o mestre, em A Noiva Estava de Preto, Truffaut se atrapalha incrivelmente nas cenas de alguma ação, e se em 1968 transformaria a crueldade de Jeanne Moureau ao empurrar um amante sacada abaixo em um momento quase-cômico, aqui torna o ataque vingativo de Oskar Werner contra seu chefe em um exercício de como não se decupar uma rajada de lança-chamas.

E como nesses detalhes de realização, todo o filme estará envolvido por uma série de primarismos; o peso do gênero, afeito a regras e esquemas restritos, será eventualmente grande demais para que qualquer tentativa de respiração própria possa ter algum efeito. Há um paradoxo fundamental no livro de Bradbury que passa ao largo de Truffaut. Contando uma história onde a literatura é perseguida e destruída por sua possibilidade de informação e elevação intelectual, a própria existência do livro no qual esta história aparece já é, por si, uma espécie de resistência, uma afronta a esse regime imaginário e tão assustadoramente possível, uma defesa tácita e eficientíssima daquilo que a trajetória de Montag pretende significar. Em Fahrenheit 451, o filme, somos lembrados o tempo inteiro da grande importância que os livros têm na história da humanidade, num exercício de tautologia pedagógica que beira a histeria.

Diagnosticar o futuro com males que estão na pauta do presente é uma constante na maior parte dos filmes que se arriscam na previsão. Mesmo o Alphaville, do parceiro de geração Jean-Luc Godard, realizado um ano antes de Fahrenheit, sofre desta valorização desmedida de suas próprias profecias sobre o mundo. Mas lá, antes do conteúdo alarmista, da bandeira agitada, estava na linha de frente a própria impossibilidade de uma mise-en-scène do futuro que não se impusesse os problemas do presente (diante de uma longa cena de conflito entre Eddie Constantine e Anna Karina num quarto de hotel, o que parece estar em questão não é o pesar da confirmação destrutiva deste mundo pós-apocalíptico, mas sim se este mesmo pendor para o cataclismo impedirá também a existência de planos-seqüência tão nervosos quanto aquele). Truffaut, ao contrário, é vítima da mensagem. Não perde a piada de ver o Capitão Beatty dizer, com consternação, que todos os livros precisam mesmo ser queimados, até mesmo aqueles que os servem tão bem, como o Minha Luta de Adolf Hitler que segura com uma das mãos nesse momento, porque é importante não deixar em suspenso que todos aqueles bombeiros empertigados são nazistas de primeira classe. Tudo acaba sendo, no fim das contas, uma questão de repertório.




FAHRENHEIT 451


François Truffaut, (Inglaterra/França) 1966


Oskar Werner (Guy Montag)
Julie Christie (Linda / Clarisse)
Cyril Cusack (Capitão)
Anton Diffring (Fabian)
Anna Palk (Jackie)
Ann Bell (Doris)
Caroline Hunt (Helen)
Jeremy Spenser
Bee Duffell
Alex Scott
Michael Balfour


Cor, Língua : Inglês, Legendas em Português 112 minutos



29.7.07

Afogando em Números (Peter Greenaway) 1988

Neste sábado dia 04/08

O Sesc Cineclube apresenta:

Afogando em Números (Drowning by Numbers) uma das obras-primas do genial diretor bretão Peter Greenaway


É no SESC Cascavel às 19:30hrs (às 19 horas haverá uma apresentação teatral em cima de textos de Nelson Rodrigues)



A ENTRADA É GRÁTIS



Sinopse: Três mulheres com o mesmo nome, Cissie (Joan Plowright, Juliet Stevenson, Joely Richardson), tem mais do que isso em comum, planejam afogamentos. A garantia para os crimes não virem à tona é dada por um amigo apaixonado por elas: ele declara que os afogamentos foram acidentes. Esse amigo e seu filho são obcecados por jogos de todos os tipos, que são jogados durante o filme. Um jogo também é feito com o espectador: de um a cem, descobrem-se os números, às vezes, dissimulados nos diálogos, outras vezes em lugares diferentes da cenografia. O cineasta leva o espectador a percorrer a tela como se percorre um quadro, a encontrar os números e, assim, desenhar a trama dos afogados.



Diretor: Peter Greenaway
Atores: Joan Plowright, Juliet Stevenson, Joely Richardson, Bernard Hill, Jason Edwards
Gênero: Experimental/Arte
País de Origem: Reino Unido, Holanda
Ano de Produção: 1988

Duração:
118 minutos.




Desanconselhável para menores de 15 anos



Contém cenas de:
nudez;
insinuações de sexo;



CENA:

22.7.07

Cannibal Holocaust (Ruggero Deodato) 1980

O famigerado Cannibal Holocaust é o próximo filme exibido pelo SESC Cineclube Silenzio. Dia 28/07 às 19:30hrs. ENTRADA GRÁTIS

Desaconselhável para menores de 18 anos.


Há uns quatro anos atrás, você, assim como eu, foi assistir a um filme de terror “no-budget” que estava estourando nas bilheterias do mundo inteiro e se tornou uma febre mesmo, já que sumiu com a mesma velocidade que surgiu. Você, assim como eu, achou muito bem bolada a trama do filme, aquela dos três jovens estudantes de Cinema que se perdem numa floresta e alguns meses depois, são encontradas as câmeras que eles usaram para gravar os últimos dias de suas vidas. E você, assim como eu, achou mais bem bolado ainda o golpe de marketing dos cineastas, que venderam o filme na Internet como um fato real. E você, que quer ser diretor e roteirista, assim como eu, ficou frustrado por não ter tido essa mesma idéia antes.

E quem disse que isso é um problema, já que existe uma ferramenta chamada “plágio”, que vira e mexe aparece sendo usada por aí; aliás, “A Bruxa de Blair” é um plágio, plágio desse “Canibal Holocausto” que começo (realmente) a escrever agora.

Sessão Maldita no CineSesc, são meia-noite. Eu e o Bruno (aqui do Plano a Plano) já tínhamos assistido a “Santa Sangre” (Alejandro Jodorowsky) e estávamos esperando o início de “Canibal Holocausto”, quando o curador da mostra, Carlos Reichenbach (um sujeito que eu nunca imaginei que pudesse ser tão engraçado), fez a seguinte advertência: se alguém tivesse estômago fraco ou fosse membro da Sociedade Protetora dos Animais, que, por favor, saísse da sala antes da exibição. E eu, aqui, estou de prova: ele tinha razão.

Assassinatos, mutilações humanas (a última faz o mais macho dos machos gemer de aflição), estupros, atentados violentíssimos ao pudor, matança de animais... parece que estou escrevendo sobre a guerra em Serra Leoa.

Tudo isso faz parte do material recuperado de cinco documentaristas que sumiram na Floresta Amazônica enquanto filmavam as tribos canibais que ali viviam. Parênteses: nosso Ministério do Turismo agradece a Ruggero Deodato, o cineasta do filme (e tinha gente reclamando dos Simpsons). E agora, as curiosidades: os efeitos especiais são tão realistas que o diretor teve de provar em juízo que toda a carnificina era falsa; o diretor apresentou os atores em um programa de televisão para provar que eles não haviam sido mesmo devorados; vários animais foram realmente mortos durante as filmagens, sendo que a seqüência da tartaruga é a mais impressionante (fonte: Internet Movie Database).

É um filme de difícil classificação, já que “bom” ou “ruim” são termos que não consigo empregar nesse caso. Mas, acho que é um filme extremamente curioso e obrigatório para cinéfilos e estudantes de Cinema.

O grande empecilho de “Canibal Holocausto” é seu o difícil acesso. Assistimos a uma versão estrangeira em DVD, da videoteca do Carlos Reichenbach, e até onde sei, o filme nunca foi distribuído no mercado de vídeo brasileiro e acho difícil que ele venha a ser exibido por um canal de televisão (aberto ou fechado).


CURIOSIDADES
- Os efeitos especiais no filme eram tão realistas que o diretor Ruggero Deodato teve que provar que era maquiagem e sangue falsos.
- Os animais no filme eram reais, o que resultou o filme ser proibido em seu vários países.
- Esse filme é um dos dez mais violentos e grosseiros de todos os tempos no Japão.
- O filme causou alguns escândalos na Itália naquele tempo e teve problemas com a censura. Havia um boato que os atores realmente morreram, assim o diretor Ruggero Deodato teve que mostrar os atores com ele no set de uma mostra Italiana na tevê a fim de provar que não tinham sido comidos vivos.
- Deodato se inspirou para fazer o filme após ter visto seu filho assistir um violento noticiário na tevê, e pensou sobre como os jornalistas focalizam a violência.



Contém cenas de:

Violência Extrema;

Crueldade;

Canibalismo;

Nudez;

Sexo (estupro);

Tortura;

Morte real de animais;

16.7.07

O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla) 1968

Neste sábado, dia 21/07
às 19:30 horas
No SESC Cascavel
Entrada Gratuita


Título Original: O Bandido da Luz Vermelha
Gênero: Drama
Origem/Ano: BRA/1968
Duração: 92 min
Direção: Rogério Sganzerla
Elenco: Paulo Villaça Helena Ignês Luiz Linhares Pagano Sobrinho Roberto Luna José Marinho Ezequiel Neves Sérgio Mamberti Renato Consorte Maria Carolina Whitaker Paula Ramos Sérgio Hingst Lenoir Bittencourt lolah Brah Carlos Faraht Luís Alberto Antônio Lima Miriam Mehler Ozualdo Candeias Júlio Calasso Maurice Capovilla Neville D'Almeida Armando Barreto Carlos Reichenbach José Alberto Reis Renata Souza Dantas Ítala Nandi Sônia Braga Maurice Segall Júlio Grimberg


Inadequado para menores de 12 anos

Sinopse: Misterioso assaltante de residências luxuosas em São Paulo, chamado pela imprensa de O Bandido da Luz Vermelha, traz sempre uma lanterna vermelha e conversa longamente com suas vítimas. Apesar dos esforços da polícia, o bandido continua a circular sem problemas. Quando ele chegava, os valentes iam dormir mais cedo e as mulheres mais tarde. Clássico do Cinema Marginal, esta obra pode ser considerada como ponto de transição entre a estética do Cinema Novo e a ruptura marginal. Realizado na Boca do Lixo, este filme ainda conserva traços da produção cinema-novista que gira em torno da representação alegórica do Brasil e de sua história. Porém, a forte presença do universo urbano, da sociedade de consumo e do lixo industrial gerado por essa sociedade, marca uma nítida diferença. O abandono da ética do Cinema Novo e o aproveitamento, a partir daí, do cafona, acentuando a degradação dos personagens, vão igualmente nesta direção. Na representação do Brasil, o universo do político é explorado para aumentar o grotesco distante de uma visão global do social. "O Bandido da Luz Vemelha" é inteiramente elaborado, inclusive em sua forma narrativa, a partir dos restos da produção industrial da cultura de massas. A ausência de formas narrativas populares, como motivo para a fragmentação da linguagem, permite a adequação da narrativa da obra ao universo do lixo urbano da sociedade de consumo. O Brasil que emerge dos fragmentos desse filme já é um país completamente distinto daquele que surge nas alegorias cinema-novistas.

9.7.07

Salò ou Os 120 Dias de Sodoma (Pasolini) 1975

Próximo Sábado dia 14/07 às 19:30hrs

No SESC Cascavel/PR - Entrada Grátis

Salò ou os 120 Dias de Sodoma/

Salò o le Centoventi Giornate di Sodoma

Dirigido por Pier Paolo Pasolini

Itália/França, 1975 Cor - 108 min.

Com: Paolo Bonacelli, Giorgio Cataldi, Umberto P. Quintavalle, Aldo Valletti (dobrado p/ Marco Bellochio), Caterina Boratto, Elsa De Giorgi, Hélène Surgère Sonia Saviange, Giuliana Melis, Faridah Malik, Sergio Fascetti, Antonio Orlando

Os Senhores coordenam a operação de recolha das vítimas; jovens de ambos os sexos na flor da idade, que serão levados para a mansão onde hão-de decorrer as orgias, subordinadas a ciclos dantescos. Antinferno, Esperma, Merda, Sangue. Os ciclos da vida, e do sexo associado à alegria, são expressamente rejeitados por Pasolini, que assim compõe um filme em ruptura com ele próprio. Um filme sobre ciclos também, mas desta feita sobre ciclos de morte.

Transpondo «Os 120 Dias de Sodoma», do Marquês de Sade, para os últimos dias da ditadura fascista italiana, «Salò» não podia deixar de ser um filme violento, atroz, repulsivo. Porque é do que trata Pasolini na sua obra final; o fascismo. Violento. Atroz. Repulsivo. O sexo é agora um castigo; uma introdução às torturas finais, de que são merecedores todos aqueles que mereceram uma referência no livrinho de apontamentos dos detentores do poder.

O fascismo é explorado em todas as vertentes possíveis. O espaço fechado da mansão, a lei escrita - e reescrita - a bel-prazer pelos Senhores, o domínio absoluto sobre o "povo", a exigência total da conformidade dos comportamentos aos desejos dos dominadores, a censura, a denúncia e o colaboracionismo. Quanto à censura, não deixa de ser curioso - e por outro lado, algo óbvio - que a forma com que Pasolini fez revestir o filme tenha despertado tais ódios e perseguições, de pessoas que quiseram proibir exibições e até destruir negativos. Ainda hoje «Salò» está banido em alguns países.

Um dos terrores menos gráficos, é a nossa incapacidade de resistência à opressão e ao terror do domínio total do regime, que nos leva a ceder e a tornar-nos parte. A fuga ao pesadelo passa pela denúncia do vizinho, que é reconhecida e estimulada pelos Senhores. A sequência das denúncias no filme leva o espectador ao riso, e, no entanto, será das sequências menos caricaturais. É a partir daqui que se escolhem os eleitos, aqueles que serão levados para «Salò». Os que olharam o abismo e a quem o abismo devolveu o olhar.

No fundo, as atrozes orgias, poderiam não passar de um concurso, cujo prémio são "umas férias dos sonhos", em algum lugar, ligeiramente mais atroz daqueles que o regime nos oferece, mas em que ainda podemos rejeitar a participação. Simplesmente, as humilhações que se sofrem e as coisas que se comem, não são a troco da sobrevivência, mas de 15 ou 20 contos e de um reconhecimento público.

Extremamente desaconselhável para menores de 18 anos.

Contém cenas de:

Nudez total (masculina, feminina, adolescente, infantil);

Sexo;

Violência extrema;

Masturbação;

Ereção;

Blasfêmia;

Tortura;

Sadismo;

Barbarismo;

Sodomia;

Crueldade;

Homossexualismo;

Coprofagia e coprofilia;

Degradação e Humilhação;

"Um filme que jamais devia ter sido feito, mas foi ... e acabou por ser a sentença de morte de seu idealizador"

IMDB

1.7.07

O Silêncio do Lago (George Sluizer) 1988

A versão original do fantástico suspense de George Sluizer é o próximo filme do SESC Cineclube Silenzio. A sessão é neste sábado:
07/07 às 19:30hrs no SESC Cascavel-PR

A entrada é GRÁTIS.



Sinopse: Um casal de namorados, Rex e Saskia, discute durante uma viagem. Após uma parada em um posto de gasolina ela some misteriosamente. Rex inicia uma busca desesperada pela namorada e tempos depois uma pista aparece e ele se envolve em uma trama sinistra.


Título original: Spoorloos (HOL/FRA)

Gênero: Suspense/Mistério

Ano de Produção: 1988

Tempo de duração: 107 minutos

Inadequado para menores de 14 anos.


Contém cenas de:

Conflitos psicológicos atenuados;

Violência leve;




Elenco:

Bernard-Pierre Donnadieu ... Raymond Lemorne
Gene Bervoets ... Rex Hofman
Johanna ter Steege ... Saskia Wagter
Gwen Eckhaus ... Lieneke
Bernadette Le Saché ... Simone Lemorne
Tania Latarjet ... Denise Lemorne
Lucille Glenn ... Gabrielle 'Gaby' Lemorne
Roger Souza ... Empresário
Caroline Appéré ... Cashier
Pierre Forget ... Farmer Laurent
Didier Rousset ... Jornalista de TV
Raphaeline ... Gisele Marzin
Robert Lucibello ... Professor
David Bayle ... Lemorne (16 Anos)
Doumee ... Lady 'Prisunic' (como Doumée)




"Você nunca mais vai querer deixar seu/sua amado(a) longe de seu campo de visão depois desse filme" Kyle Millingan (IMDB)

18.6.07

Terráqueos (Shaun Monson) 30/06

Lembramos que dia 23/06 o SESC estará promovendo a mostra 15 de Teatro no Gilberto Mayer em Cascavel, em decorrência disso, não haverá sessão do Cineclube.



Mas no dia 30/06 voltaremos com o documentário Terráqueos (Eathlings) de Shaun Monson.


Após o filme faremos um debate sobre o assunto. E principalmente em cima da questão de Cascavel começar a produzir carne de Vitela.



EARTHLINGS (Terráqueos) é um documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em animais (para companhia, comida, roupa, entretenimento, e pesquisa científica) mas também demonstra nosso completo desrespeito por estes chamados "provedores não-humanos".




O filme é narrado pelo indicado ao Oscar Joaquin Phoenix (GLADIADOR) e apresenta música pelo artista de platina renomado pela crítica Moby.


Em 2005 ganhou 3 prêmios em 3 festivais diferentes Boston, San Diego e Artivist.


Com um estudo profundo em pet shops, fábricas de filhotes e abrigos de animais, como também em fazendas industriais, o comércio de couro e de peles, as indústrias de esportes e entretenimento, e finalmente a profissão médica e científica, EARTHLINGS usa câmeras escondidas e imagens nunca antes vistas para demonstrar as práticas cotidianas de algumas das maiores indústrias do mundo, todas as quais dependem totalmente em animais para o lucro. Poderoso, informativo e provocador, EARTHLINGS é de longe o documentário mais compreensível já produzido na correlação entre a natureza, animais, e os interestes econômicos humanos. Existem muitos filmes valiosos de direitos dos animais, mas este transcende o cenário. EARTHLINGS grita para ser visto.


Às vezes, as pessoas acabam esquecendo da realidade, que na vida real, nem tudo é perfeito ou bonito, pode parecer um inicio de texto clichê, mas é o melhor modo de começar a falar sobre Terráqueos. Filme que no mínimo deveria ser visto ao menos uma vez por cada ser humano quevive neste planeta. Terráqueos é um choque...É um tiro na cabeça...literalmente...modifica você.

Os humanos em seu geral, classificam-se como seres superiores e poderosos, com tantos direitos e ideiais, mas acabam esquecendo de um outro lado. Um lado que tambem tem vida, sente dor, fome, frio...Etc. Terráqueos mostra CLARAMENTE e sem cortes como funciona o mundo atual e sua ligação com os animais.
Você verá todo modo de aflição que o homem proporciona aos animais de estimação, no consumo de carne, na diversão geral e tambem na ciência. Mas o filme não foi feito apenas pra chocar com um punhado de imagens impactantes, ele funciona como uma ótima lavagem cerebral nos humanóides especistas.


Não existe contra indicação para este filme.. deve ser visto em familia, com amigos, namorados, parentes, salas de cinema...




“Se eu pudesse fazer com que todos no mundo vissem um filme, eu os faria assistir EARTHLINGS.” -
Peter Singer, autor Libertação Animal


fontes: movimentocinemalivre.multiply.com (Thiago)
e somostodosum.ig.com.br



2005 (EUA) 108 minutos . Colorido com legendas um português.



Para ver o que foi debatido nos filmes anteriores acesse "comentários" no respectivo filme.

11.6.07

A Entrevista (Takashi Miike)

O filme do próximo sábado dia 16/05 no SESC Cineclube Silenzio, é a obra-prima do cultuado diretor japonês Takashi Miike, A Entrevista, ou Audition. As sessões são no SESC Cascavel, todos os sábados às 19:30hrs. A entrada é grátis. Lembramos a todos também que no outro sábado, dia 23, o Cineclube não fará sessão em decorrência da Mostra 15 de eTeatro do SESC, participem.
Sinopse: Um solitário viúvo conta com a ajuda de um produtor, que arma uma audição para um filme inexistente, afim de que o amigo escolha sua futura mulher. O viúvo fica fascinado por Yamazaki, uma jovem misteriosa e enigmática.
Crítica por: Bernardo Krivochein (Rio) em Zeta Filmes
Minha mandíbula dói. Pelos últimos 15 minutos, eu fiquei de boca aberta. Eu odeio "Audition" por isso. O filme vai criando um clima carregado, mas toda a expectativa que você vem montando, se preparando, de nada serve. Eu entro na sala e o filme já tem o ponto negativo de ter sido elogiado por tudo que é imprensa especializada de cinema, tem essa aura carregada que me faz esperar que o filme seja no mínimo "..E O Vento Levou" do rodízio de Sushi, o que nunca acontece. Saio do cinema, concordando com tudo aquilo que li e pior:Eu estava realmente com medo.
Aoyama (Ryo Ishibashi, ex-vocalista de uma banda de punk rock) é um pai viúvo há muitos anos, dono de uma produtora, criando um filho adolescente que, belo dia, propõe que está mais do que na hora de ele encontrar uma mulher. Seu amigo, produtor de cinema, propõe um teste de elenco caô, para que ele selecione entre as pobres candidatas incautas, a ideal para um relacionamento. Dentre todas, a bailarina fracassada Asami é a que o atrai, principalmente pela familiaridade com a sensação de perda, compartilhada pelos dois. Lentamente, vão marcando encontros onde, desajeitadamente e afobadamente, envolvem-se. Audition inicia-se como uma comédia romântica, que lentamente ganha sobriedade e pinta um painel sobre a solidão em cidades grandes e dos relacionamentos na Tóquio moderna.
Desnecessário dizer que tudo vai para o vinagre.
Até porque se você estiver familiarizado com a obra do diretor Takeshi Miike (que dirigiu "Ichi The Killer", "Visitor Q" e "The Happiness of the Katakuris", que parece ser um "Oito Mulheres" que deu certo), sabe que o sujeito não é conhecido por ser contido - feito o tarado da estação Pampulha, ele mostra tudo. Mas o nervosismo, o virtuosismo de câmera, um roteiro vazando adrenalina, todo o conjunto normalmente associado a ele, ficou para outro filme. Miike mostra maturidade, paciência de Jó e muito sadismo com "Audition". São tantas vezes que ele te leva para um outro lugar além daquele que você espera, que me deixou exausto, sem fôlego. São várias rasteiras que ele te reserva, mas esqueça que um dia eu falei isso e seja surpreendido.
"Audition" constrói-se em cima de fatias de tensão, que são incorporadas ao filme discretíssimamente, tanto que antes do clímax explosivo, o clima está tão pesado que é insuportável. Se a Subway vendesse um sanduíche baseado nesse filme, seria chamado de Mega Combo do Cagaço e seria tão cheio de recheio que seria impossível comê-lo sem que litros de molho não derramassem na sua camisetinha branca apertada. "Audition" traz ao espectador a coisa mais próxima de um filme que Hitchcock hoje, caso estivesse ainda vivo e consciente da vertente atual. É sufocante.
É lento pacas, mas o personagem principal acaba entrando pela veia do espectador. Ele é desnudo para o espectador, psicologicamente, somos sempre recordados de que ele não é perfeito, mas aceitamos o sujeito mesmo assim. Embora as decisões tomadas por Aoyama sejam perfeitamente machistas e chauvinistas (ele só quer encontrar uma mulher para preencher o SEU vazio, tem que corresponder às SUAS expectativas e se ele tiver que tirar algumas moças de seu caminho e mentir para elas, colocando-as numa situação de quase mercado humano, isso nunca é refletido por ele), no final das contas, ele é um sujeito sozinho e todos se identificam com isso. Não resta dúvidas de que ele não é, nem de longe, uma pessoa ruim.
O impacto de "Audition" é fruto justamente disso: o público encontra-se no personagem e, logo, encontra-se jogado no meio de um sonho tornado pesadelo. "Atração Fatal" é pinto! Eu odeio esse filme pela inquietação que me fez passar e amo simplesmente pela pequena obra-prima de terror que o filme é. A imagem de uma menina japonesa dizendo que eu tenho que amar a ela e somente a ela para sempre me dá frios na espinha. O filme nos abandona, várias questões foram deixadas sem resposta e o filme nos persegue pela rua, saindo do cinema. Não consigo frisar o bastante a qualidade desse filme. Segura na mão de Deus e vai.
"Odishon" Japão, 1999. 115 mins. Direção: Takeshi Miike. Estrelando: Ryo Ishibahi, Eihi Shiina, Tetsu Sawaki, Jun Kunimura, Renji Ishibashi.

3.6.07

Ondas do Destino (Lars Von Trier)

Neste sábado dia 09/06 às 19:30hrs, o filme exibido pelo SESC Cineclube Silenzio será "Ondas do Destino" (Breaking the Waves) do dinamarquês Lars Von Trier (Dogville, Dançando no Escuro), a exibição é no salão do SESC Cascavel e a entrada é GRÁTIS.
No norte da Escócia uma jovem mulher (Emily Watson) se apaixona e se casa com um dinamarquês (Stellan Skarsgard) que trabalha em uma plataforma de petróleo. Quando ele retorna ao seu serviço sofre um acidente, quebrando seu pescoço e provavelmente o deixando incapacitado para o resto da vida. Nesta situação ele pressiona a mulher a procurar amantes e lhe contar detalhes de suas relações.
Premiações-
- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Atriz (Emily Watson). - Recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Filme - Drama e Melhor Atriz - Drama (Emily Watson). - Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Atriz (Emily Watson). - Recebeu uma indicação ao Independent Spirit Awards, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. - Ganhou o César de Melhor Filme Estrangeiro. - Ganhou o Grande Prêmio do Júri, no Festival de Cannes. - Ganhou 3 prêmios Bodil, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz (Emily Watson) e Melhor Atriz Coadjuvante (Katrin Cartlidge). - Ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional do Uruguai.
Curiosidades- Ondas do Destino é o filme de estréia da atriz Emily Watson.
Título Original: Breaking the Waves
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 152 minutos
Ano de Lançamento (Dinamarca): 1996
Direção: Lars Von Trier
Roteiro: Lars von Trier e Peter Asmussen
Produção: Peter Aalbak Jensen e Vibeke Windelov
Fotografia: Robby Müller
Direção de Arte: Karl Juliusson
Figurino: Manon Rasmussen
Edição: Anders Refn
Cópia em Francês com legendas em português.

27.5.07

Daunbailó (Jim Jarmusch)

Jim Jarmusch deu as caras no cenário independente do cinema americano em 1983, com Estranhos no Paraíso, que se tornou altamente cultuado e lhe abriu as portas para seu próximo longa, a idiossincrática comédia Daunbailó. Apesar destes dois filmes se divergirem bastante em tom, ambos apresentam uma marca clássica de Jarmusch, que são personagens marginalizados.
A estória é sobre dois sujeitos que, ao caírem numa armação da polícia, vão dividir uma cela juntos na prisão. Jack é um cafetão de baixa categoria que se envolve erroenamente num esquema de corrupção de menores, enquanto Zack é um ex-radialista que, expulso de casa pela namorada, aceita um serviço de transporte de um carro, sem saber que tinha uma pessoa no porta-malas; dois seres que vivem nos limites da sociedade, longe dos ideais do sonho americano. Muito além do nome, os dois se parecem tanto no jeito de ser que imediatamente se odeiam, como se olhassem num espelho e vissem tudo que há de condenável na sociedade, e que os botou na cadeia, à princípio. O clima pesado se alastra durante dias a semanas na prisão, que é marcante no começo da projeção (que, aliás, retrata Nova Orleans da mesma maneira que os protagonistas, uma cidade fria, suja e escura, longe dos shows de jazz e clima de desfile de costume), até a chegada do terceiro companheiro de cela, o franzino italiano Roberto.
Roberto Benigni, em começo de carreira, já retrata desde lá o mesmo tipo de personagem que o consagraria anos mais tarde, e transforma Roberto num divisor de águas no filme. O tagarela e por vezes irritante italiano logo se transforma num ser que tanto Jack quanto Zack podem odiar mutuamente, mas sua simpatia aos poucos o aproxima dos dois. Sendo o único lá a realmente pagar por um crime (um homicídio que, à melhor maneira de Chaves, foi 'sem querer querendo'), Roberto adiciona um humor tão inconsequente e inocente que muda todos os rumos da projeção. Para começar, o cenário muda, já que ele arranja um jeito de fugir da prisão (uma fuga que nunca é mostrada, o que acaba tendo um resultado muito mais positivo que caso fosse inventado uma maneira mirabolante de escapar), e agora os três amigos - na definição de Roberto - estão à solta no meio de um enorme pântano, sempre a correr. Essa segunda parte do filme apresenta-se de uma maneira bem mais leve e descontraída, a fotografia fica mais clara, as cenas têm menor duração e o ritmo é mais acelerado.
Mas enganam-se eles achando que estão livres. Simplesmente mudaram de prisão (inclusive, a cabana em que eles passam a primeira noite é quase idêntica à antiga cela). Perdidos no meio do nada, sem saber para onde ir, a aliança dos três parece estar sempre à beira do colapso, e por diversas vezes chega a acabar, mas eles sempre voltam, centrados na figura de Roberto. Este, aliás, torna-se o personagem mais interessante do longa. Perdido numa cultura estranha, ele é um personagem em desespero, e o mais marginalizado de todos. Falando apenas o inglês mais básico, a língua é um constante problema, que o faz andar com um caderno de notas com piadinhas para tentar se socializar; durante uma discussão sobre gritos na prisão, ele lança um verso: "i scream, you scream, we all scream, for ice cream" ("eu grito, você grita, todos gritamos por sorvete") que, de tão ingênuo, acaba conquistando os dois companheiros, e vira uma espécie de hino-desabafo na cadeia. Pode-se notar também sua aparente tristeza e decepção quando é deixado para trás por Jack e Zack, e fica preso entre um rio (que não pode atravessar por não saber nadar) e os latidos de cães se aproximando (sua maior fobia), o que prova a escolha acertada de Benigni, que vai bem além de servir como um alívio cômico caricato. Ainda assim, ele prova ser o mais capaz dos três, já que sempre procura fazer todos ficarem unidos, e é ele quem acha a saída da cadeia, caça e assa comida à noite (numa cena hilária, totalmente improvisada pelo ator), e consegue um abrigo com uma italiana, que logo vira sua esposa (na verdade, esposa do Benigni na vida real, o que fica óbvio devido à afinidade dos dois na cena de dança). Jack e Zack não são propriamente atores - John Lurie, que interpreta Jack, já havia trabalhado em Estranhos no Paraíso - e sim compositores (eles que compõem a bela trilha sonora do filme), mas isto não atrapalha o trabalho deles, que retratam bem as divergências dos dois até o final do filme.
A fotografia de Robbie Müller (que fotografou Paris, Texas) também é um show à parte. Sempre trabalhando com um chiaroscuro de bastante contraste, dá o tom certo ao filme apenas mexendo nas variações de brilho (ao fim da projeção, está tudo tão claro que parece ter vazado luz no filme). Sempre trabalhando com um humor calmo, constituído de longas tomadas (herança de Jacques Tati, talvez?), é certamente o filme mais engraçado do diretor. Aliás, a brincadeira com o título original, 'Down by Law', que em português virou 'Daunbailó', entra bem no clima do filme, e parece ter sido criada de encomenda pelo próprio diretor. Estranhos no Paraíso pode até ser considerado um filme mais importante, de vanguarda, marco zero e tal, mas foi com Daunbailó que Jarmusch se firmou de vez no novo cinema independente americano.

Por Roberto Ribeiro




Direção: Jim Jarmusch»
Origem:
Alemanha/Estados Unidos»
Duração:
107 minutos


Trailer:




» Sinopse: O filme é sobre dois sujeitos que, ao caírem numa armação da polícia, vão dividir uma cela juntos na prisão. Jack é um cafetão de baixa categoria que se envolve erroenamente num esquema de corrupção de menores, enquanto Zack é um ex-radialista que, expulso de casa pela namorada, aceita um serviço de transportar um carro, sem saber que tinha uma pessoa no porta-malas.

Elenco ::. Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Tom Waits, John Lurie, Ellen Barkin, Billie Neal


Quando: Dia 02/06
Hora: 19:30hrs
ENTRADA GRÁTIS
No SESC - CASCAVEL (Endereço no Topo da Página)

20.5.07

Não Matarás (Krzysztof Kieslowski)

Dia 26 de Maio de 2007 - 19:30hrs No SESC Cascavel - Entrada Grátis.
O mecanismo do acaso e coincidência, genialmente trabalhado por Faulkner na literatura, teve em Kieslowski o seu representante cinematográfico mais ilustre. Na primeira meia hora de Não Matarás, assistimos a três histórias paralelas de três personagens nas ruas de Varsóvia: um jovem advogado que faz um exame numa espécie de correspondente à OAB polonesa, um taxista vitriólico com cães e gatos, e um rapaz que perambula alheatoriamente pela cidade; ao cabo de escassos minutos já intuímos que estes destinos irão cruzar-se de uma maneira ou de outra. Versão expandida de um dos episódios da sua monumental série Decálogo, que analisava cada um dos mandamentos da Bíblia, este filme do realizador polones é um triunfante thriller existencialista, abarcando as tensões de um Hitchcock e a metafísica de Dostoiveski à lá Crime e Castigo; o crime cometido, esse mesmo, é filmado exemplarmente, com níveis de dilatação do tempo e crueldade que Alfred não desdenharia fazer, caso o deixassem. Kieslowski apresenta a capital através de uma fotografia "dura", sem bonitinhos, o mood certo para a tragédia subterrânea da estória, que após a sua peça central (o crime) dá lugar a um imediato castigo, numa gigantesca elipse de enorme economia narrativa. A última meia hora, ritual de portas de prisão batendo e preparativos para o enforcamento, é um mostruário da eficiência de Estado, gestos tecnocratas pouco preocupados com questões sentimentais. A música do famoso Zbigniew Presiner, ora melancólica ora tensa, transmite mais nuances emocionais a este conto; os diálogos finais entre o jovem advogado e o autor do crime valem pelo seu intimismo doloroso e confessional.



Resumo: Jack é um jovem desempregado obcecado pela violência. Certo dia, sem motivo aparente, ele sai pelas ruas de Varsóvia e resolve matar um motorista de táxi, proporcionando uma das cenas mais cruas, reais e violentas. Um advogado criminalista tenta livrar Jack da pena de morte, e pelo caminho ele esbarra com um Estado totalitário e uma sociedade ainda mais cruel que seu próprio cliente.





Título: NÃO MATARÁS (Krotki film o zabijaniu)
Direção:
Krzysztof Kieslowski
Elenco:
Miroslaw Baka, Jack K. Globisz
Origem:
Polônia Data:
1988
Duração:

85 minutos




Fonte: Mil e um Filmes e Conselho Federal de Psicologia / Serviço de Biblioteca e Documentação do Instituto de Psicologia - USP