24.2.08

01/03 - Amadeus - Versão do Diretor (Milos Forman)

Neste Sábado dia 01/03 às 19:30h
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA


Título Original:
Amadeus

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 158 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1984
Estúdio: Orion Pictures Corporation
Distribuição: Orion Pictures Corporation
Direção: Milos Forman
Roteiro: Peter Shaffer, baseado em peça de Peter Shaffer
Produção: Saul Zaentz
Música: John Strauss
Direção de Fotografia: Miroslav Ondrícek
Desenho de Produção: Patrizia von Brandenstein
Direção de Arte: Karel Cerny
Figurino: Theodor Pistek
Edição: Michael Chandler e Nena Danevic

seta3.gif (99 bytes) Elenco

F. Murray Abraham (Antonio Salieri)
Tom Hulce (Wolfgang Amadeus Mozart)
Elizabeth Berridge (Constanze Mozart)
Simon Callow (Emanuel Schikaneder)
Roy Dotrice (Leopold Mozart)
Christine Ebersole (Katerina Cavalieri)
Jeffrey Jones (Imperador Joseph II)
Charles Kay (Conde de Orsini-Rosenberg)
Kenny Baker (Comendador)
Lisabeth Bartlett (Papagena)
Barbara Bryne (Frau Weber)
Martin Cavina (Jovem Salieri)
Roderick Cook (Conde Von Struck)
Milan Demjanenko (Karl Mozart)
Peter DiGesu (Francesco Salieri)



seta3.gif (99 bytes) Sinopse
Após tentar se suicidar, Salieri (F. Murray Abraham) confessa a um padre que foi o responsável pela morte de Mozart (Tom Hulce) e relata como conheceu, conviveu e passou a odiar Mozart, que era um jovem irreverente mas compunha como se sua música tivesse sido abençoada por Deus.



- Ganhou 8 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (F. Murray Abraham), Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Som e Melhor Roteiro Adaptado. Recebeu ainda outras 3 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Ator (Tom Hulce), Melhor Fotografia e Melhor Edição.

- Ganhou 4 Globos de Ouro, nas seguintes categorias: Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator - Drama (F. Murray Abrahams) e Melhor Roteiro. Recebeu ainda outras duas indicações, nas seguintes categorias: Melhor Ator - Drama (Tom Hulce) e Melhor Ator Coadjuvante (Jeffrey Jones).

- Ganhou 4 BAFTAs, nas seguintes categorias: Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Maquiagem e Melhor Som. Foi ainda indicado em outras 5 categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (F. Murray Abraham), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino e Melhor Direção de Produção.

- Ganhou o César de Melhor Filme Estrangeiro.

- Ganhou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Contribuição Artística no Festival Internacional de Flanders.



seta3.gif (99 bytes) Curiosidades
- O ator Mel Gibson chegou a fazer testes para interpretar Mozart em Amadeus.


- O nome Amadeus, que é o nome do meio de Mozart, significa "Amado de Deus". A escolha desta palavra como sendo o título do filme se deve à uma correlação feita com a convicção de Salieri de que Mozart era abençoado por Deus ao compôr suas músicas.


- Vários acontecimentos da vida real de Mozart foram incluídos no roteiro de Amadeus, como seu encontro quando criança com Maria Antonieta.


- Todo o filme foi rodado sob luz natural.



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Daylight, Câmera, Ação.

Amadeus (1984) de Milos Forman

É preciso começar já fazendo um adendo. Quando o amigo Anderson Costa me convidou a escrever esse artigo, citou-me o fato do filme Amadeus de Milos Forman sobre a vida de Wolfgang Amadeus Mozart ter sido filmado com luz natural. Como fazia muito tempo que havia visto o filme a afirmação me pareceu inverossímil já que o filme é extremamente luminoso. Neguei na hora, mas o fato ficou me incomodando, o que me fez minutos depois sentar em frente ao DVD e revê-lo. Pasmem! Com um olhar mais clínico é possível ver que tal como Barry Lyndon de Stanley Kubrick, Amadeus também foi feito com luz natural, o que o torna ainda mais peculiar entre os filmes americanos, até porque conseguiu com extrema eficiência corrigir alguns problemas de iluminação de seu precursor filmado quase dez anos antes.

O filme foi fruto de gerações de obras, primeiro foi uma peça chamada Mozart & Salieri de Aleksandr Puchkin, esta peça tornou-se uma ópera adaptada por Rimsky-Korsakov que por sua vez tornou-se novamente uma peça já com o nome Amadeus (que é o nome do meio de Mozart e significa Amado por Deus, o que Salieri justifica dizendo que Mozart foi o escolhido divino para a música em detrimento dele próprio) escrita por Peter Shaffer que também foi roteirista do filme. Vê-se então que muita pesquisa foi feita antes do filme chegar às telas, mas não é por isso que ele se calca na realidade, pelo contrário, como a história de Mozart assim com a de Antonio Salieri, é formada quase que por páginas em branco devido ao não-registro de época, permitiu-se ao roteiro preencher as lacunas das misteriosas biografias dos dois compositores com maestria, isso acabou gerando alguns protestos da comunidade artística principalmente no que se refere a Antonio Salieri.

Em noite de Oscar não se pode deixar de lembrar que o filme faturou oito estatuetas na época (filme, direção, ator (F. Murray Abraham), direção de arte, figurino, maquiagem, som e roteiro adaptado). Hoje já se sabe que o prêmio da Academia não reflete necessariamente a qualidade artística de uma obra, mas qualquer festival que se preze teria concedido a Amadeus todos esses e outros prêmios. É difícil explicar o efeito causado pelo filme, mas pode-se verificar que nenhum filme de época foi tão moderno e nenhum filme sobre música feito depois deste, escaparia da comparação e da preferência pelo primeiro.

E há uma trindade que certifica à Amadeus, a qualidade de ser sagrado, a primeira das forças com toda a certeza é o uso da música de Mozart. Raramente se viu a trilha sonora tornar-se indiscutivelmente um personagem que permeia a história de tal forma que é impossível imaginar-se um sem o outro (quem já viu sabe que nunca, depois do filme, poder-se-á ouvir ao Réquiem (K. 626) sem lembrar-se da partitura sendo ditada).

A segunda delas é a interpretação da dupla central. Tom Hulce deu vida a Mozart, tanto que quando se pensa no compositor, lembra-se de sua atuação, infelizmente (pra ele) o personagem ficou tão atrelado que Hulce nunca mais voltou a fazer um papel à altura, o mesmo aconteceu com Frank Murray Abraham que fez uma atuação quase espírita como Salieri, creio que nunca se viu um ator com tamanha segurança em diversas fases da vida de um personagem (em especial na velhice de Salieri quando este narra a história do filme). Resultado: Hulce apesar da excelente atuação acabou ofuscado pelo Salieri de Abraham que levou um caminhão de prêmios pra casa e construiu um dos vilões mais tridimensionais da história do cinema, porém teve todos os papéis futuros sempre ligados ao do compositor italiano. O que vemos então para deleite dos espectadores é um duelo incessante de interpretações com “Salieri” levando uma pequena vantagem em relação a “Mozart”, conseguindo assim na disputa de interpretação, uma originalidade sem par para a rivalidade de seus personagens.

E a terceira força é o próprio Milos Forman, que refugiado nos EUA volta à sua terra natal para filmar Amadeus conseguindo um resultado que só tem comparativo em sua carreira com “Um Estranho no Ninho”. Possivelmente um Amadeus sem a batuta milimétrica e sensível de Milos Forman, acabaria se tornando uma coleção de clichês maniqueístas que culminariam em “mais um daqueles filmes de época” sem graça, sem alma, sem sentido de existir como muitos filmes das mesmas bandas. E assim como Mozart e Salieri em Viena, havia Forman e Kubrick nos EUA, disputando uma saudável rivalidade, seja Kubrick trazendo Jack Nicholson para O Iluminado após ver Um Estranho no Ninho, seja Milos Forman fazendo um espetáculo em luz natural ou daylight após ver Barry Lyndon.

Amadeus Versão do Diretor será exibido no SESC Cineclube Silenzio no sábado dia primeiro de março (01/03) com sessão iniciando às 19:30h.

Vander Colombo

22.2.08

23/02 - Dançando no Escuro (Lars Von Trier)

Neste Sábado 23/02 às 19:30h
No Sesc Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA



Dançando no Escuro se passa em 1964 e conta a história de Selma, interpretada por Björk, imigrante do Leste Europeu que vai para os Estados Unidos acompanhada de seu filho. Portadora de uma doença hereditária que a deixará cega em pouco tempo, Selma trabalha dia e noite com um só objetivo: poder pagar uma cirurgia para o filho, que sofre do mesmo mal. A paixão por filmes musicais torna-se a única válvula de escape da pobre moça em sua vida tão difícil
A produção intercala o eixo narrativo principal com números musicais, que são devaneios da personagem central. Mesmo em momentos de extrema tensão, Selma se aliena do que está a sua volta e brilha em grandiosos espetáculos imaginários, muito bem realizados pela atriz principal e pelo diretor. As coreografias estão bem feitas e as músicas são primorosas, contando com o toque especial da harmoniosa e pungente voz de Björk.
A cantora está simplesmente perfeita no papel. Encarna a personagem mantendo-se verossímil do começo ao fim, encantando e comovendo o público. Revela-se uma artista completa: além de ter uma voz singular, provou ser uma brilhante atriz, o que lhe rendeu o Globo de Ouro e um prêmio em Cannes. Sem dúvida, merecidos.
A direção de Lars von Trier se priva de tecnologia. O longa-metragem foi filmado em câmera digital, pelas mãos do próprio diretor. Ainda assim, tem uma bela fotografia, especialmente nas cenas dos espetáculos. Por ser longo e com pouca ação, Dançando no Escuro exige certa paciência do público. É denominado um filme de arte, ou seja, a maioria das pessoas o acha enfadonho.
A crítica aos Estados Unidos é clara na película. Selma, que foi para o país em busca de uma solução para seu problema, é explorada e acaba tendo um fim trágico. Poucos não irão se revoltar e se comover com a história, que é triste em um nível não visto em produções hollywoodianas. Trier é impiedoso com a personagem central, assim como a América é com os que se aventuram lá.
Uma história imperdível da realidade dura e cruel contrapondo-se à felicidade romântica das fantasias. Bonita obra, que há de ser apreciada pelos adoradores do bom cinema




(Dancer in the Dark, 2000)


» Direção: Lars von Trier


» Roteiro: Lars von Trier


» Gênero: Drama/Musical



Björk Selma Jezkova-

Catherine Deneuve Kathy -

Joel Grey Oldrich Novy -

Vladica Kostic Gene Jezkova -

Udo Kier Dr. Porkorny - Peter Stormare Jeff -
Cara Seymour Linda Houston -
Jean-Marc Barr Norman -
David Morse Bill Houston -


» Origem: Dinamarca/Estados Unidos/Inglaterra

» Duração: 140 minutos

» Tipo: Longa

» Trailer:

17.2.08

Ciclo # 5 Cinema Latino-Americano

Nesta semana 18 a 22/02 (segunda à sexta-feira)
No Sesc Cineclube Silenzio
ENTRADA GRÁTIS
18/02
Nove Rainhas

Título Original: Nueve Reinas
Gênero: Drama
Origem/Ano: ARG/2000
Duração: 115 min
Direção: Fabian Bielinsky
Elenco:
Ricardo Darín...
Gastón Pauls...
Leticia Brédice...
Ignasi Abadal...
Alejandro Awada...
Elsa Berenguer...
Leo Dyzen...
Ricardo D.Mourelle...
Carlos Falcone...
Tomás Fonzi...
Marcos Juan

Sinopse: A história de Nove Rainhas, passada na Buenos Aires dos dias atuais, começa numa madrugada e termina na manhã do dia seguinte. Nestas 24 horas ou pouco mais, Marcos (Ricardo Darín) y Juan (Gaston Pauls), seus protagonistas, passarão pela maior aventura de suas vidas, algo que Marcos insiste em chamar de "uma oportunidade em um milhão".Estes dois golpistas de segunda, que habitualmente "trabalhavam" por alguns poucos pesos, se conhecem por acaso numa certa madrugada e, de repente, tornam-se sócios numa negociação multimilionária envolvendo uma série falsificada de selos raríssimos, conhecidos como as "Nove Rainhas". O negócio deve ser realizado imediatamente, custe o que custar, uma vez que o milionário espanhol interessado nos selos deixará a cidade na manhã seguinte. Marcos conta com a ajuda de sua irmã, Valeria (Leticia Bredice), que trabalha no hotel onde o espanhol está hospedado, mas questões familiares pendentes azedam a relação dos irmãos.Enquanto o veterano Marcos vai ensinando ao jovem e inexperiente Juan os segredos do ofício, eles encontram a cada passo de sua jornada inusitada outros ladrões e farsantes, numa selva onde ninguém está livre de sua pequena ou grande parcela de corrupção. Cada revelação parece esconder uma mentira; cada promessa encobre outro golpe.

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19/02
Whisky

Título Original: Whisky
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento (Uruguai): 2004
Estúdio: Control Z Films / Rizoma Films Distribuição: Global Film Initiative
Direção: Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
Roteiro: Gonzalo Delgado, Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
Produção: Fernando Epstein
Música: Pequena Orquestra Reincidentes
Fotografia: Bárbara Álvarez
Direção de Arte: Gonzalo Delgado
Edição: Fernando Epstein
Elenco: Jorge Bolani (Herman Koller)Mirella Pascual (Marta Acuña)Andrés Pazos (Jacobo Koller)Daniel HendlerAna Katz

Em Montevidéu vive Jacobo (Andres Pazos), um homem de 60 anos que vive sozinho desde a morte de sua mãe. Desde então sua única alegria na vida é a pequena fábrica de meias que possui. Marta (Mirella Pascual) é uma mulher de 48 anos que é o braço direito de Jacobo na fábrica, onde trabalha como supervisora. Marta e Jacobo possuem uma espécie de dependência mútua, apesar dos assuntos entre eles sempre ficarem em torno de trabalho. Até que um dia Herman (Jorge Bolani), o irmão de Jacobo, avisa que irá a Montevidéu para participar da matzeiva, uma celebração judaica para a colocação da pedra do túmulo em até um ano após a morte de uma pessoa. Herman não vai a Montevidéu há mais de 20 anos, tendo faltado até mesmo ao funeral de sua mãe, sendo que também tem uma pequena fábrica de meias, localizada no Brasil. A visita de Herman desperta em Jacobo a velha competição existente entre os irmãos, que faz com que ele faça a Marta uma proposta inusitada: que ela seja sua esposa durante a visita de Herman. Marta aceita a proposta. Ela passa então a morar no apartamento de Jacobo, onde ambos passam a se dedicar em enganar Herman durante sua estadia.

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20/02
Plata Quemada

Título Original: Plata Quemada
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 125 minutos
Ano de Lançamento (Argentina): 2000
Site Oficial: http://www.plataquemada.com/
Estúdio: Oscar Kramer S.A. / Cuatro Cabezas S.A. / Estudios Darwin / Romikin S.A. / Patricio Tobal / Editorial Capayán / Fundación Octubre / Ibermedia Program / Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales / Mandarin Films S.A. / Punto B.S.R.L. Planificatión y Medios / Taxi Films / Tornasol Films S.A. / Vía DigitalDistribuição: Gativideo / Filmes do Estação
Direção: Marcelo Piñeyro
Roteiro: Marcelo Figueiras e Marcelo Piñeyro, baseado em livro de Ricardo Piglia
Produção: Óscar Kramer
Música: Osvaldo Montes
Fotografia: Alfredo F. Mayo
Desenho de Produção: Belén Bernuy, Margarita Gómez e Noemí Nemirovsky
Edição: Juan Carlos Macías
Elenco: Eduardo Noriega (Angel)Leonardo Sbaraglia (Nene)Pablo Echarri (Cuervo)Leticia Brédice (Giselle)Ricardo Bartis (Fontana)Dolores Fonzi (Vivi)Carlos Roffé (Nando)Daniel Valenzuela (Tabare)Héctor Alterio (Losardo)Claudio Rissi (Realtor)Luis Ziembrowsky (Florian Reyes)Harry Havillo (Carlos Tulian)Roberto Vallejos (Parisi)Adriana Varela (Cantor do cabaret)

Angel (Eduardo Noriega) e Nene (Leonardo Sbaraglia) são dois matadores inseparáveis conhecidos no meio como "os gêmeos". Até que Fontana (Ricardo Bartis) lhes propõe um novo golpe: assaltar o caminhão que transporta os pagamentos da cidade de San Fernando, que transporta 7 milhões. Tanto Angel quanto Nene aceitam a proposta, para fugir do tédio e superar a crise que existe entre eles naquele momento. Porém, o que parecia ser um trabalho fácil acaba se tornando um verdadeiro massacre. Fontana, Angel e Nene decidem fugir para o Uruguai, para evitar que sejam mortos pelos policiais argentinos, que estão sedentos por vingança. Lá eles se escondem em um apartamento emprestado por Losardo (Héctor Alterio), um mafioso local, onde esperam a chegada de novos documentos fraudados que permitam que eles viajem para o Brasil. Mas quanto mais os documentos demoram a chegar mais a tensão entre os três cresce, chegando a níveis insuportáveis.

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21/02
Viridiana

Título Original: Viridiana
Direção: Luis Buñuel
Elenco: Silvia Pinal, Francisco Rabal e Fernando Rey.
Ano de Produção: 1961
Duração: 91 minutos
Cor: Preto e Branco
País de Produção: México

Palma de Ouro no Festival de Cannes, Viridiana é um dos filmes mais polêmicos dos anos 60, tendo sido proibido em diversos países. Às vésperas de ser ordenada freira, Viridiana passa uns dias na mansão do seu pervertido tio, que, obcecado com sua beleza, tenta seduzi-la de todas as maneiras. Com a morte repentina do tio, desiste da vida religiosa, indo morar no casarão do falecido. Movida pelo espírito de caridade cristã, ela abriga e alimenta todos os mendigos da região. Porém, os necessitados não se comportam do jeito que ela esperava... Uma das obras-primas do mestre Luis Buñuel (A Bela da Tarde), Viridiana traz uma das cenas mais famosas da história do cinema: a Santa Ceia dos mendigos, uma sátira genial à pintura de Leonardo Da Vinci.

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22/02
Como Água Para Chocolate

Título Original: Como Agua para Chocolate
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento (México): 1992
Estúdio: Cinevista / Arau Films International / Fonatur / Instituto Mexicano de Cinematografia / Fondo de Fomento a la Calidad Cinematográfica / Aviacsa Distribuição: Miramax Films
Direção: Alfonso Arau
Roteiro: Laura Esquivel, baseado em livro de sua autoria
Produção: Alfonso Arau
Música: Leo Brouwer
Fotografia: Steven Bernstein e Emmanuel Lubezki
Desenho de Produção: Marco Antonio Arteaga, Emilio Mendoza e Denise Pizzini
Direção de Arte: Ricardo M. Kaplan
Figurino: Carlos Brown
Edição: Carlos Bolado e Francisco Chiu
Elenco: Marco Leonardi (Pedro Muzquiz)Lumi Cavazos (Tita)Regina Torné (Mãe Elena)Mario Iván Martínez (Dr. John Brown)Ada Carrasco (Nacha)Yareli Arizmendi (Rosaura)Claudette Maillé (Gertrudis)Pilar Aranda (Chencha)Farnesio de Bernal (Cura)Joaquín Garrido (Sargento Treviño)Rodolfo Arias (Juan Alejándrez)Margarita Isabel (Paquita Lobo)Brígida Alexander (Tia Mary) Sandra Arau (Esperanza Muzquiz)Andrés Garcia Jr. (Alex Brown)Rafael Garcia Zuazua Jr. (Alex Brown - garoto)

Tita (Lumi Cavazos) nasceu na cozinha do rancho de sua família, quando sua mãe (Regina Torné) estava cortando cebolas. Logo em seguida seu pai morre de um ataque cardíaco fulminante, por ter sua paternidade questionada. Com isso Tita é vítima de uma tradição local, que diz que a filha mais nova não pode se casar para que cuide da mãe até sua morte. Ao crescer Tita se apaixona por Pedro Muzquiz (Marco Leonardi), que deseja se casar com ela. Sua mãe veta o matrimônio, devido à tradição, e sugere que ele se case com Rosaura (Yareli Arizmendi), a irmã dois anos mais velha de Tita. Pedro aceita, pois apenas assim poderá estar perto de Tita.


5.2.08

Ciclo # 4 - François Truffaut

Do Dia 11/02 a 15/02
No SESC Cineclube Silenzio
Sessões às 20h
ENTRADA GRATUITA





11/02 Os Incompreendidos (Les 400 Coups, 1959, 93min)

Os Incompreendidos não é só o primeiro longa de Truffaut, filmado em 1959: é um dos títulos seminais da nouvelle vague e um dos melhores filmes de todos os tempos.
O ator-mirim Jean-Pierre Léaud participou de cinco filmes de Truffaut
Trata-se de uma obra-prima. Parafraseando um comentário de François Truffaut sobre Os Pássaros, de Alfred Hithcock, o cinema foi inventado para que semelhante filme fosse feito.
Fotografado em preto-e-branco, Os Incompreendidos acompanha o percurso de um garoto de 12 ou 13 anos pela Paris do final dos anos 50.
A criança está sempre se metendo em encrencas, e vem daí o título original, Les 400 Coups – uma expressão idiomática francesa que pode ser traduzida por “pintar o sete”.
Antoine Doinel mata aula e mente que a mãe morreu, ergue um altar em honra de Honoré de Balzac e quase mete fogo na casa, rouba e se arrepende, é preso e foge.
O roteiro, do próprio Truffaut, em parceria com Marcel Moussy, recusa o clima piegas que costuma lambuzar filmes sobre infância.
É quase um documentário, profundamente alegre em certas partes e triste, suave, melancólico no seu todo.
Passados quase 40 anos, o final deve se manter surpreendente. É um dos filmes mais simples e mais belos em cento e poucos anos de cinema.

Truffaut insistiu no personagem

O homem que amava as crianças não gostava de admitir o quão autobiográfico era o seu primeiro longa-metragem.
François Truffaut (1932-1984) não gostava de admitir, mas teve uma infância bem parecida com a do protagonista de Os Incompreendidos. Amargou problemas com os pais, aplicou pequenos golpes e acabou confinado num reformatório juvenil.
O homem que amava o cinema chegou a fazer do personagem Antoine Doinel e de seu intérprete, o ator Jean-Pierre Léaud, uma espécie de alter ego. Doinel, sempre interpretado por Léaud, voltou em outros quatro filmes ao longo de 20 anos, num caso único de insistência no triângulo diretor-personagem-ator: Antoine e Colette (1963), Beijos Proibidos (1968), Domicílio Conjugal (1970) e O Amor em Fuga (1979).
O homem que amava as mulheres repetiria em uma dezena de outros filmes sua devoção aos temas da infância e da solidão. Numa entrevista, chegaria a declarar que não conseguiria fazer outro filme “tão eficaz” como Os Incompreendidos:
– Fico muito surpreso quando me dizem que se trata da solidão de uma criança. É exatamente isso o que eu queria.(Eduardo Veras, Agência RBS)


12/02 A Noite Americana (Nuit américaine, La, 1973, 115min)

Um dos filmes que melhor representa as loucuras que se passam em um set de filmagem. Um ator que fica deprimido porque sua noiva sai com um dublê, uma atriz que se entregou às bebidas e não consegue lembrar de suas falas e muitas outras confusões, que o diretor deve fazer de tudo para contornar, até gravarem uma das cenas mais importantes do filme: a que o dia deve ser transformado em noite artificialmente.
O filme mostra Ferrand, um cineasta, durante a produção de um filme chamado Je vous presente Pamela, seus imprevistos, atores com ego inflado, problemas de bastidores, e as soluções improvisadas para concluir o projeto a tempo, como por exemplo, furtar um vaso do hotel onde o elenco estava hospedado para compor o cenário da casa da personagem "Pamela".
Durante as filmagens de Je vous presente Pamela, Alphonse e Julie, os atores principais, têm um caso, mas ela não leva o caso adiante. Com ciúme, ele conta ao marido dela, que invade o set de gravação, enquanto o ator ameaça abandonar o projeto — e esse é só um dos problemas que Ferrand tem de enfrentar.


13/02

Jules e Jim (Jules et Jim, 1962, 105min)


"Jules e Jim" é um dos mais apreciados filmes da nouvelle vague francesa dos anos 60, uma reflexão meio amarga (mas que começa leve e bem humorada) sobre as vicissitudes e dificuldades das relações amorosas, os desencontros e as dúvidas, tudo isso sublinhado pela citação de "As Afinidades Eletivas", de Goethe.


O alemão Jules (Oskar Werner) e o francês Jim (Henri Serre) são dois grandes amigos em perpétua comunhão, dividem tudo, até as namoradas, e cuja amizade nem a 1ª Guerra Mundial, em que lutam em lados opostos, consegue destruir.


Mas Jules se casa com a estranha Catherine (Jeanne Moreau), por quem Jim também se apaixona, o que complica o já confuso e infeliz casamento do amigo.


O diretor François Truffaut (1932-84), bem no espírito da época, compôs tudo de maneira espontânea e despojada, com uma montagem fragmentada e vários toques criativos na narrativa, como legendas que aparecem de repente no meio da imagem ressaltando diálogos.


O filme é um cult absoluto, unanimemente elogiado e ponto alto da carreira de musa de Moreau, na época namorada do diretor. Foi homenageado por Paul Mazurski como Willie e Phil ("Willie and Phil", 1980) e mencionado ou referenciado em dezenas de outros filmes.




14/02
Atirem no Pianista (Tirez Sur Le Pianiste, 1960, 85min)


Dois bandidos, em pleno ato criminoso, conversam descontraidamente sobre temas fúteis – e até engraçados – que nada têm a ver com o crime que está sendo cometido. Alguém pensou em Pulp Ficition – Tempo de Violência? Engano. A sarcástica cena está no filme Atirem no Pianista, que François Truffaut fez em 1960, ou seja, 34 anos antes de Tarantino.


Neste seu segundo longa, Truffaut já deixa clara sua paixão pelo cinema noir americano. Em ritmo de novela policial, ele mostra a história de Charlie (o ator, cantor e compositor Charles Aznavour), pianista que toca num barzinho decadente, mas que tem talento suficiente para ser um grande concertista. Por que? Os flash backs explicarão. Aliás, mais importante que conhecer a trajetória e os segredos de Charlie é curtir o estilo leve e despojado dos primeiros anos de Truffaut. Através de diálogos e movimentos de câmera repletos de agilidade, o então jovem diretor (28 anos) parece se divertir muito com o que faz. Não se prende a normas rígidas, mistura sem cerimônia a tragédia e a comédia, inova, e já profetiza os ares de liberdade estética que tomariam conta do cinema experimental dos anos 60 e 70.


A partir do livro do norte-americano David Goodis, Truffaut conta, numa só tacada, uma história de amor (o pianista Charlie se apaixona pela garçonete Lena, vivida por Marie Dubois, para o desespero e ciúmes do dono do bar), um conto policial (o irmão de Charlie inadvertidamente o envolve com o mundo do crime), e ainda tem um tempinho para o riso (a cena onde o criminoso diz que sua mãe pode “cair mortinha” é impagável). Tudo com charme e descontração que provam, mais uma vez, que Truffaut foi o menos hermético e o mais digerível dos cineastas da época da Nouvelle Vague francesa.

A trilha sonora é de Georges Delerue, que mais tarde comporia importantes trilhas do cinema, como O Inconformista, Julia, Platoon e dezenas de outras.




15/02
Beijos Proibidos (Baisers Volés, 1968, 90min)


Ao estrear no cinema com o longa Os Incompreendidos (59), François Truffaut acertou as contas com o passado e a gravidade de sua infância. Em Beijos Proibidos (68), o diretor reencontra seu protagonista e alter ego, Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), mais crescido e iluminado por uma aura de leveza, aprimorando em sua carreira as vertentes da comédia e da ironia romântica que foram algumas de suas marcas registradas, aqui com a colaboração de roteiristas como Claude de Givray e Bernard Revon.
Para fazer um estudo sobre o personagem de Doinel, não poderia haver melhor oportunidade, aliás, do que esta semana, quando se encontram em cartaz tanto Os Incompreendidos quanto Beijos Proibidos - este último acompanhado do curta Antoine e Colette (62), episódio desligado de Amor aos 20 Anos, um longa que uniu originalmente os trabalhos dos diretores Marcel Ophuls, Renzo Rossellini, Andrzej Wajda e Kon Ishihara. Assim, estão nas telas do cineclube os três primeiros momentos de Doinel, que ainda teria duas outras encarnações patrocinadas por Truffaut nos anos seguintes.
Em Antoine e Colette, o rapaz, já fora da casa dos pais, trabalha na fábrica de discos Philips e mora num quartinho. À noite, sai com o amigo René (Patrick Auffray, o mesmo de Os Incompreendidos), com quem troca confidências sobre seus sonhos amorosos. Estes ganham substância na tentadora Colette (Marie-France Pisier), mocinha que freqüenta o circuito dos concertos noturnos estudantis. A afinidade musical dá esperanças a Antoine, que termina por mudar-se para o hotel em frente ao apartamento de Colette. Mas suas expectativas são frustradas pelas diferentes intenções da moça. No final das contas, os pais dela gostam mais de Antoine do que ela.
A mesma ironia se repete em Beijos Proibidos, que parte de onde acabou Antoine e Colette. A frustração amorosa levou Antoine a alistar-se no Exército, onde foi o soldado mais relapso de que seus superiores tiveram notícia, acabando na prisão. Desligado a bem do serviço, ele volta à vida civil e à casa de uma moça de seu passado, agora rebatizada como Christine (Claude Jade). Esta também é esquiva ao interesse de Antoine e está fora, em viagem com amigos. Antoine inicia, então, uma peregrinação pelos mais variados empregos - porteiro noturno de hotel, detetive, técnico de televisão - que o colocam no centro de aventuras amorosas, como com uma estonteante mulher casada, Fabienne Tabard (Delphine Seyrig).
Como sempre, Truffaut misturava sua vida pessoal às histórias que contava. Mais do que isso, unia amor e trabalho quase sem fronteiras. Ao filmar Antoine e Colette, aprofundou uma crise matrimonial já iniciada por seu caso com Jeanne Moreau em Jules e Jim, ao envolver-se com a protagonista do curta, Maria-France Pisier, que na época tinha 17 anos e meio. Apesar disso, o casamento com Madeleine Morgenstern ainda sobreviveu alguns anos.
Feito seis anos depois, Beijos Proibidos constituiu um grande sucesso comercial do diretor, o que foi até uma surpresa. Afinal, naquela Paris de 1968 o ar que se respirava era todo político, ainda no rescaldo da histórica rebelião estudantil que semeou barricadas e esperanças de revolução em todas as esquinas da cidade. Entretanto, talvez porque a revolução tivesse fracassado, o público encantou-se pelas aventuras de Antoine, que não são todas tão doces nem pueris como se supõe à primeira vista, apesar de embaladas pela canção-tema do popularíssimo Charles Trénet, Que Reste-t-il de nos Amours?
Pode-se enxergar no jovem Antoine um proletário que tenta mas nunca consegue a ascensão social que deseja. Além disso, a presença de personagens no limite emocional, como a mulher casada (Delphine Seyrig) que propõe a Antoine uma aventura única, e o homem desconhecido (Serge Rousseau) que se declara a Colette em busca do amor definitivo, pontuam esta paisagem de educação sentimental de espinhos existenciais um tanto complexos e adultos. Truffaut, ele mesmo dizia, era um romântico que desconfiava do romantismo.

10.1.08

Ciclo #3 - Expressionismo Alemão

Do DIA 21 a 25 de JANEIRO
(Segunda a Sexta) às 20h

No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRÁTIS




Dia 21/01

O GOLEM
(Der Golem, 1920, 91min, P&B Mudo) Dir.: Paul Wegener
Ambientado em Praga, século XVI, onde uma pequena vila de judeus é posta em cheque pelo kaiser. Para defender a cidade, o velho cientista Rabbi Lowe se volta aos antigos recursos alquimistas para criar o Golem, um ser de cera de enorme porte e força. À princípio, a criatura apenas obedece seu mestre, mas, à medida em que o tempo passa, ele passa a ter consciência da própria existência, e decide tomar os rumos de suas ações.

Dia 22/01

O GABINETE DO DOUTOR CALIGARI
(Kabinett des Dr. Caligari, 1919, 71min P&B Mudo) Dir.: Robert Wiene
Um clássico do filme de terror, realizado no tempo em que o cinema ainda não falava. Mas as belíssimas imagens (que criam um tom meio surrealista) valem mais que mil palavras. O malvado Dr. Caligari hipnotiza um jovem e o induz a matar várias pessoas. Tudo se complica quando ele se recusa a assassinar uma bela jovem. Num toque de mestre, realiza um filme sob a ótica de um louco: daí as distorções e deformações das ruas, casas e pessoas."O Gabinete do Doutor Caligari" foi uma das primeiras obras do Expressionismo Alemão , que privilegiva os estranhos efeitos de luz e sombra na composicão de climas psicológicos, alem de usar cenários e ângulos de câmera distorcidos.O prólogo e o epílogo não existiam na versão original, que pretendia ser um ataque a autoridade social. A remontagem imposta pelos produtores alterou o significado do filme, fazendo com que a ação passasse a representar o delírio de um louco. Mas isso não afetou sua qualidade cinematográfica. Ao contrário, contribuiu para tornar a trama ainda mais intrigante.Os cenários, criados em pedaços de madeira e pano pelos pintores expressionistas Walter Reimann e Walter Rohrig e pelo cenógrafo Hermann Warm, ainda existem e fazem parte do acervo do Museu do Cinema Henri Langlois, em Paris. Fritz Lang, que se tornaria um célebre diretor alemão dos anos 20, colaborou no roteiro.

Dia 23/01
A ÚLTIMA GARGALHADA


(Letzte Mann, Der 1924, 77min. P&B Mudo) Dir.: F.W. Murnau
Um velho porteiro de um hotel de classe se vê sendo substituído por um empregado mais jovem, e posto para trabalhar como ajudante de lavatório. Sendo seu emprego de porteiro o maior orgulho de sua vida, e agora ridicularizado por seus vizinhos e amigos, o velho homem volta ao hotel à noite, em busca de seu antigo uniforme, símbolo de sua glória passada.

Dia 24/01
M, O VAMPIRO DE DUSSELDORF
(M, 1931, 111min. P&B Sonoro) Dir.: Fritz Lang
Um serial killer assusta a cidade alemã de Dusseldorf matando crianças indefesas. Escapa da polícia, mas não das mãos de organizações criminosas pertencentes ao submundo local, que o pegam e o julgam com suas próprias leis numa velha fábrica abandonada. O ator Peter Lorre, com um desempenho excepcional, celebrizou-se por este papel. É o primeiro filme falado do diretor alemão Fritz Lang, que dois anos depois se mudaria para os Estados Unidos.É uma das cenas mais memoráveis da história do cinema, em que os próprios criminosos fazem justiça - para escapar da justiça real.

Dia 25/01
NOSFERATU
(Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922, 94min. P&B Mudo) Dir.: F.W. Murnau
Nosferatu é uma espécie de adaptação não-autorizada do romance Drácula, de Bram Stoker. Todos os principais elementos e estrutura linear da história foram mantidos, mas aqui Drácula chama-se Orlok. O filme é possivelmente o principal representante do movimento cinematográfico conhecido como Expressionismo Alemão, e influencia inúmeros diretores até os dias atuais, com seu jogo de luz e sombra.

30.11.07

CICLO #2 - FEDERICO FELLINI

Do DIA 10 a 14 de DEZEMBRO
(Segunda a Sexta) às 20h
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRÁTIS
Dia 10/12
I CLOWNS (Re-exibição Especial)
(I Clowns, 1971, 92min, Cor)

“I Clowns” é uma mistura de ficção e documentário no qual o próprio Fellini se coloca como uma personagem, que ao relembrar de sua relação com o circo ainda na infância decide investigar mais a fundo o que aconteceu e como nasceu a imagem com Clown Blanco e do Augusto do Commedia Dell`Arte do século XV. Sua discussão sobre o que seria arte e o que seria entretenimento no mundo dessas figuras ora adoradas ora odiadas desenvolve-se a partir de uma pesquisa ampla viajando por toda a Europa e também por entrevistas, feitas pelo próprio Fellini aos maiores nomes do gênero.


Dia 11/12
A ESTRADA DA VIDA
(La Strada, 1954, 108min P&B)

A Estrada da Vida, é, sem exageros, uma das obras-primas inesquecíveis do mestre Federico Fellini e um dos mais belos filmes da história do cinema. Giulietta Masina vive a ingênua Gelsomina, vendida por sua miserável mãe para o brutamontes Zampanò (Anthony Quinn em interpretação magistral), um artista que se apresenta arrebentando correntes. Gelsomina passa a ajudar Zampanò em suas exibições. A estrada da vida que percorrem guarda belas e trágicas surpresas para a dupla.


Dia 12/12
FELLINI 8½
(Otto e mezzo, 1963, 140min. P&B)

Fellini oito e meio (1963) é um dos marcos diferenciais na carreira do grande cineasta italiano; se em A doce vida (1960) o realizador articulava palavras e símbolos num estilo exasperado mas realista, em Oito e meio tudo é fantástico, imaginoso, desde a forma como se aglomeram as seqüências (um barroco documentário da memória) até o conteúdo interno das imagens, uma intensa mistura de faces curiosas, interessantes, uma fauna que encontraria seu ponto talvez mais desequilibrado no filme seguinte de Fellini, o alucinado Julieta dos espíritos. A doce vida é um arrojo de roteiro e linguagem; Oito e meio é uma ousadia formal, um ponto em que Fellini começou a libertar-se do envolvimento dramático mais tradicional, construindo obras libertinas em sua estrutura até chegar ao vão documental e sóbrio de Amarcord (1973).
Diferentemente de Amarcord, outra escavação da memória do mais autobiográfico diretor de cinema, Oito e meio apela inteiramente para a fantasia, não se preocupando com juntar o real ao mágico sem mutilar o filme (algo que ocorreria em Amarcord). Oito e meio é magia pura, um exercício de arte onde novamente encontramos as obsessões de Federico Fellini e novamente topamos com sua surpreendente capacidade de renovação.
Realização extremamente coletiva, como costumam ser os trabalhos do cineasta a partir dos anos 60, Oito e meio faz desfilar diante das câmaras inquietas de Fellini uma série de personagens estranhas e situações insólitas que acabam por transformar o protagonista Guido Anselmi e seus dilemas pessoais num débil ponto de união entre os fragmentos da história. Assim voltaria a ocorrer em Julieta dos espíritos com a burguesa Julieta, em Amarcord com o moço Titã, em Casanova de Fellini com o amante insuperável; e tal não ocorreria bem assim com o jornalista Marcelo em A doce vida, pois a sociedade aí seria um “anagrama” explicativo dos conflitos psicológicos da personagem.
Basicamente, Federico Fellini conta em Oito e meio a história do cineasta Guido Anselmi, inquieto diante da perspectiva dum novo filme sem assunto e atravessando uma profunda crise de saúde que o leva a um sanatório onde o realizador investiga longamente com os recursos de sua poesia cinematográfica a fauna humana que o diverte e intriga. Segundo o romancista brasileiro Ignácio de Loyola Brandão, Oito e meio é seu filme, aquele universo cinematográfico em que ele gostaria de ter nascido, crescido, vivido, dali nunca ter saído. A obra-prima de Fellini merece tais alturas, pois trata-se de um dos mais inovadores filmes da história do cinema.


Dia 13/12
SATYRICON
(Satyricon, 1969, 132min. Cor)

Esta é a livre adaptação de Fellini da famosa peça de Petronius, que faz uma crônica da vida na Roma antiga. Encolpio (Martin Potter) e seu amigo Ascilto (Hiram Keller) disputam o afeto do jovem Gitone (Max Born). Quando Encolpio é rejeitado, ele começa uma jornada na qual encontra todos os tipos de pessoas e de acontecimentos, entre eles uma orgia e um desfile de prostitutas na Roma antiga. Durante a orgia, organizada por Trimalchio (Mario Romagnoli), encontra um ex-escravo que menosprezou a mulher em troca dos prazeres oferecidos por um jovem garoto. O filme é estruturado em uma narrativa truncada e é uma reflexão sobre a sexualidade masculina e suas variações. Cada trecho do filme trata de uma delas, como o homossexualismo, e outras questões delicadas que envolvem o sexo. Apesar de ser baseado na sociedade da Roma antiga, Satyricon reflete também um momento de caos pelo qual a sociedade da década de 60 vivia.


Dia 14/12
E LA NAVE VA
(E La Nave Va, 1983, 132min. Cor)

Junho de 1914. Glória N, um luxuoso navio, deixa a Itália, levando as cinzas de uma célebre cantora lírica para sua terra natal, a ilha de Erimo. Cantores, músicos, amigos, nobres e um jornalista acompanham o funeral. A normalidade dos primeiros dias de viagem é interrompida quando o capitão socorre refugiados da recém-iniciada Primeira Guerra Mundial. Considerado pela crítica mundial como a última obra-prima de Fellini, E La Nave Va é uma fascinante homenagem à Ópera, repleta de momentos sublimes e personagens exóticos. Embarque nesta fantástica viagem felliniana.


18.11.07

Os Amantes do Círculo Polar (1998) Julio Medem

Neste SÁBADO DIA 24/11
No SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA


ÚLTIMA SESSÃO REGULAR DO ANO

APÓS O FILME DISCUTIREMOS SOBRE O FUTURO DO CINECLUBE, PARTICIPE!


A CERTEZA DE ESTAR COM ALGUÉM


Existem alguns filmes que conseguem nos passar uma sensação quase mística que transcende linguagem cinematográfica e narração, muito embora esta tal energia venha exatamente da forma como o diretor junta seus pedaços e nos conta sua história. Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes del Círculo Polar, Espanha, 1998), de Júlio Medem, é um desses casos atípicos, pois tem um sabor decididamente diferente, difícil de ser descrito, mas que chega no espectador e o atinge em cheio. Este filme é uma dessas adequações raras e perfeitas da forma junto ao próprio coração do filme (o conteúdo). Investiga, em termos bem pessoais, a maneira como nós encaramos o destino.

Inicialmente, Os Amantes do Círculo Polar pode ser descrito como uma história de amor entre Anna e Otto, que nos são apresentados como duas crianças de oito anos de idade que decidem, desde tão cedo, que foram feitos um para o outro. A certeza deles é tanta que ambos põem suas vidas numa espécie de piloto automático, pois sabem que nunca deixarão de estar juntos, mesmo depois que uma primeira ação do destino os torna praticamente irmão e irmã, já que o pai de Otto e a mãe de Anna apaixonam-se e decidem morar juntos.

Alguns anos depois, Anna e Otto já são adolescentes e Medem cria um clima fascinante de erotismo juvenil que irá consumar a relação física entre ambos, mesmo sendo, mais do que nunca, irmão e irmã, vizinhos de quarto na casa dos pais. Esta proximidade é tratada por Médem como extremamente problemática do ponto de vista de Otto, pois ele precisou deixar a mãe (sozinha, depois do fracasso do casamento) para poder ficar mais perto de Anna, na nova casa do seu pai.

O relacionamento entre os dois passa para um terceiro estágio, já como jovens adultos de vinte e poucos anos, momento em que a vida, e o destino, começará a realmente testar a resistência do caminho que ambos traçaram, aos oito anos de idade. É esse conflito entre destino e as obras externas do acaso que Medem trata com tanta força e poesia, através de um cinema altamente pessoal.

Para estabelecer a idéia de que tudo na vida funciona em ciclos que se completam, e que nossa existência não seria possível sem a repetição constante desses ciclos, Medem mostra-se um manipulador talentoso das espectativas de quem vê seu filme. Um dos elementos mais interessantes, por exemplo, é a constante ameaça de um acidente de automóvel, ou mesmo, na infância e adolescência de Otto e Anna, a ida para a escola, durante anos, no assento traseiro do carro dos pais. A realidade é a mesma, mudam apenas as roupas, a meteorologia, o estado de espírito.

Esta idéia de um círculo constante na vida ganha tratamento visual impecável e uma montagem inteligente de imagens que retratam a configuração circular de fatos. Há um belíssimo corte envolvendo uma freada, Anna e Otto, que sintetiza praticamente toda a idéia apresentada nesse filme, repetida mais tarde numa angustiante seqüencia que se passa num café, ao ar livre, provavelmente a mais poética e irônica escrita por Medem.

Medem, no entanto, guarda seu maior símbolo de destino e vida para a imagem mística do sol que nunca se põe, mas que avança horizontalmente, no norte da Finlândia, ou no Círculo Polar do título, destino final do seu filme, uma vez que Anna e Otto são guiados por uma série de coincidências que parecem comprovar que "não existem coincidências". Aliás, não parecem existir coincidências para quem sempre teve tanta certeza do caminho que o destino traçou.

Este é um filme especial, onde nota-se imediatamente o trabalho de um diretor que tem uma visão peculiar do mundo, traduzida com eloqüência no seu jeito de filmar. Medem fotografa em tons brancos e azuis, formato CinemaScope e paixão pelo seu estilo peculiar de cinema. Não tem o "calor" que se espera de um diretor espanhol, uma vez que o filme mostra-se até frio, vez por outra, especialmente na sua conclusão, que poderá dividir o público entre os que acham-no poético, e outros que poderão sentir-se perturbados com a sua crueza. Mesmo assim, não há indiferença perante tanta técnica e idéias fortes que muito nos comunicam sobre a natureza do ser humano perante a vida.

Os Amantes do Círculo Polar é mais uma prova de que o Cinema Espanhol passa por uma excelente fase. Almodóvar tem encantado muita gente com seu prêmio de direção em Cannes pelo belo Tudo Sobre Minha Mãe, atualmente em cartaz. No último Festival Internacional de Cinema do Rio, além do filme de Almodóvar, os outros grandes sucessos da mostra foram Tango e Goya, de Carlos Saura, e o delicioso A Menina dos Seus Olhos (1999), de Fernando Trueba (Sedução), com Penelope Cruz. Em agosto, no Festival Latino/Brasileiro de Gramado, Os Amantes do Círculo Polar não teve concorrência, dando uma goleada de mais de sete prêmios Kikito, claramente o melhor e mais forte filme da competição.


Filme Visto no Palácio dos Festivais, Gramado, Agosto de 99



Título Original: Los Amantes del Círculo Polar
Gênero: Romance/Drama
Origem/Ano: ESP/1998
Duração: 113 min
Direção: Julio Medem


12.11.07

Brazil, O Filme (Terry Gilliam) 1985

NESTE SÁBADO 17/11
no SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRATUITA



Brazil - O Filme (Brazil, 1985) »
Direção: Terry Gilliam»
Roteiro: Terry Gilliam,
Tom Stoppard
» Gênero: Ficção Científica»
Origem: Inglaterra»
Duração: 131 minutos»

Elenco ::.

- Ator/Atriz
Personagem
- Robert De Niro
Archibald

- Peter Vaughan
Sr. Helpmann

- Ian Richardson
Sr. Warrenn

- Michael Palin
Jack Lint

- Bob Hoskins
Spoor

- Katherine Helmond
Sra. Ida Lowry

- Jonathan Pryce
Sam Lowry

- Jim Broadbent
Dr. Jaffe

- Ian Holm
Sr. M. Kurtzmann

- Kim Greist
Jill Layton




Terry Gilliam é um diretor complexo. Ou melhor: Terry Gilliam é um diretor de filmes complexos. Mas não só de filmes complexos também. É dele o filme considerado a melhor comédia de todos os tempos por muitas pessoas e críticos: Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, talvez o filme do gênero que mais inspirou outros diretores em todos os tempos. Monty Python não é um filme complexo, mas mesmo assim é um filme altamente diferenciado. O diretor também fez o estranhíssimo (e também complexo) Os 12 Macacos, e seu filme mais recente é o esquisitão Medo e Delírio, uma viagem alucinante (ou seria alucinógena?) ao mundo das drogas.

Para este ano, Gilliam já está pré-produzindo (e vai dirigir) Good Omens. Se não ocorrer nenhum imprevisto, o filme deve chegar lá pelo final do ano nos Estados Unidos. Dificilmente vai conseguir, produções desse tipo geralmente são complexas (ops, de novo!). Good Omens é – adivinhem só! – outro filme com uma premissa bizarra: é uma fantasia sobre o Armageddon, com o anti-cristo chegando ao planeta na forma de um bebê. Vai dar o que falar... Bem, esse foi um resumo totalmente supérfluo da carreira de diretor de Terry Gilliam, mas é necessário para as pessoas entenderem o que estarão esperando caso resolvam aventurar-se no filme que é considerado a sua obra-prima até o momento: Brazil - O Filme!

Do nosso país, nosso querido Brasil, o filme tem muito pouco. Apenas a trilha sonora tem relação com ele. Pra ser mais exato, a música-tema do filme é a Aquarela do Brasil, clássico composto por Ary Barroso. De resto, não há nenhuma outra referência a nosso país. A história – uma ficção científica futurista e bastante fantasiosa – é sobre uma sociedade estranhíssima (assim como em 12 Macacos), depressiva, infeliz, altamente alienada por burocracia. Em Brazil, o mundo criado por Gilliam é ainda mais importante que seus personagens, embora estes sejam muito interessantes.

O clima do filme é escuro, depressivo, tedioso. O mundo é um completo caos. Se você acha as grandes metrópoles do início do novo milênio caóticas, espere para conhecer o mundo retratado em Brazil. Gilliam teve a felicidade de, mesmo criando um mundo futurista fantasioso, já em 1984, quando produziu o filme, prever vários aspectos que hoje são comuns à nossa sociedade (mesma coisa que Kubrick fez em Laranja Mecânica), como o individualismo do homem, e até mesmo a convivência diária com vários atentados terroristas.

Sim, os atentados são o grande problema do momento da sociedade de Brazil, e Sam Lowry, nosso protagonista (finalmente chegamos nele), que acabara de receber uma promoção para um departamento mais importante no governo, onde cuida da burocracia (ele e seus companheiros de trabalho devem lidar com milhares de papéis, num ambiente intoxicante), acaba se envolvendo com a mulher de seus sonhos, que é uma terrorista (ou no mínimo parece uma). Durante boa parte do filme, Gilliam exibe cenas absolutamente bizarras de Sam sonhando com essa mulher, perseguindo-a pelos céus com um grande par de asas, porém sempre sendo impedido pelos seus comandantes (simbolizado pelo grande samurai), que querem dele apenas trabalho, trabalho, e mais trabalho. Como em outros filmes de Gilliam (e como em filmes de David Lynch também) as cenas “estranhas” podem ser interpretadas de várias maneiras, esta apresentada é apenas uma delas.

Mas ainda tem mais história pra contar: enquanto trabalha e continua tendo seus sonhos esquisitos com a tal mulher, um funcionário acaba, acidentalmente, cometendo um erro de cadastro. O fugitivo da polícia Tuttle acaba tendo seu nome trocado para Buttle por causa de tal acidente, e Buttle, cidadão pacato e inocente, acaba sendo preso no lugar de Tuttle. Tuttle é interpretado por Robert De Niro, em um papel estranhíssimo. Ele e Sam acabam se encontrando várias vezes em situações bastantes esquisitas (pra variar).

Criar uma sinopse para Brazil é dos trabalhos mais difíceis que existem. O filme é tão “diferente”, com sua história tendo tantos detalhes anormais, que fica difícil entendê-la sem ver o filme (bem, mesmo vendo ele não é a coisa mais fácil de de entender). O filme ainda conta com uma galeria grande de personagens interessantes, como a mãe de Sam, que está com o rosto incrivelmente esticado de tanto fazer cirurgias plásticas; e o Sr. Kurtzmann, interpretado por Ian Holm (o Bilbo de O Senhor dos Anéis – a trilogia), que não quer perder o seu eficiente funcionário Sam para outro departamento.

De não tão fácil assimilação, o principal que fica depois de se assistir Brazil – O Filme, é a mensagem que Gilliam nos passa, de um futuro, mesmo que fantasioso no filme, possível em vários pontos (alguns deles já existentes, como já foi citado). Não há muito o que uma pessoa, sozinha, possa fazer para evitar que mais aspectos negativos do filme se tornem realidade, mesmo assim, vale a pena fazer a sua parte. Espero apenas que no mundo real, no futuro, não haja tamanha burocracia e a alienação com papéis vistas em Brazil. Difícil, já que uma coisa Gilliam não previu: o crescimento da importância dos computadores, que eliminam quase toda a papelada.

Brazil – O Filme é uma obra-prima difícil de assistir, difícil de digerir. Não é um filme para quem busca entretenimento. Infelizmente, 99% das pessoas que dizem gostar de cinema acabarão nunca assistindo a este filme. Uma pena, mas fica aqui a recomendação valiosa. A versão analisada aqui é a versão do diretor, que foi lançada tempos depois da original com 11 minutos de cenas a mais, entre elas alguns momentos mais “quentes” entre Sam e sua amada. Assim como os filmes de Terry Gilliam, analisar Brazil é tão complexo que tenho certeza que você não entendeu praticamente nada, assim como dificilmente entendi o que escrevi... Então estamos quites.


5.11.07

Amarcord (1972) Federico Fellini

NESTE SÁBADO dia 10/11 às 20h
no SESC Cineclube Silenzio
Entrada Gratuita



Antes dos Filme: APRESENTAÇÃO DO VOCAL COMMUNICANTUS(GRUPO VOCAL)

NO REPERTÓRIO - MÁRIO ALFAGÜEL; FRANZ SCHUBERT E MILTON NASCIMENTO





Sinopse: Numa pequena cidade italiana na década de 30, sob domínio do facismo, várias histórias se cruzam com as de uma família cujos membros assistem às manifestações em honra do Duce ( lider facista Benito Mussolini ), à passagens do transatlântico "Rex", à chegada de um misterioso emir e suas odaliscas, aos filmes de Gary Cooper no cinema local è a passagem dos grandes pilotos da tradicional " Mile Miglia ". Mágico e arrebatador, com personagens inesquecíveis criados a partir das lembranças da infância de Fellini (1920-1993). Tudo ao som de belos e nostálgicos temas musicas de Nino Rota.


Crítica:


Eu me lembro. Foi no cinema Vogue (hoje uma padaria), na avenida Independência, em Porto Alegre. Assisti a "Amarcord" num domingo à noite e, no final da sessão, descobri que o cinema era muito mais legal do que eu pensava. Naquele momento (1974), foi uma descoberta individual, quase secreta, mas, poucos anos depois, percebi que toda a minha geração também passara pelas poltronas do Vogue e sentira o mesmo que eu.

Ali estava um filme tão perfeito, tão emocionante, tão extraordinário, que, de algum modo, ajudara a mudar a vida de muitas pessoas, que viam o cinema como algo distante, inalcançável, escrito sempre com aquelas letras brancas imensas de H-O-L-L-Y-W-O-O-D, e que agora podiam vê-lo como uma simples desfilar de lembranças de um italiano tão maluco quanto genial.

Foi uma descoberta tardia, é claro. Mas é preciso lembrar que a minha geração chegou à adolescência (momento de encontrar duas coisas fundamentais na vida: sexo e cinema) em plena ditadura, quase sem acesso às cinematecas, às mostras alternativos, à grande efervescência cultural que caracterizou o final dos anos 50 e todos os 60. Então, assistimos a "Amarcord" sem termos assistido a "A doce vida", "Oito e meio", "Noites de Cabíria", "Julieta dos espíritos" e aos demais filmes de Fellini. E pior: se me perguntassem, na época, o que era neo-realismo italiano, eu não teria a menor idéia. Rosselini? Visconti? Quem são esses senhores? Assim, mesmo considerando que muitos adolescentes porto-alegrenses não eram tão ignorantes quanto eu, dá pra afirmar que, para a maioria, "Amarcord" funcionou como uma faísca inesperada, como uma luz intensa, que nos obrigou a contrair as pupilas e enxergar o cinema de outra maneira.

Mas o que "Amarcord" tem de tão fantástico? Primeiro é preciso dizer o que NÃO tem. Porque, apesar de sermos adolescentes ignorantes, já tínhamos intimidade com a narrativa cinematográfica, já sabíamos, por exemplo, que um bom filme tinha que ter: (a) artistas talentosos, conhecidos, quase sempre bonitos, muitas vezes deuses e deusas que desciam do Olimpo apenas para filmar nos estúdios; (b) uma história com começo, meio e fim, capaz de emocionar ao espectador segundo uma progressão cuidadosamente planejada; (c) personagens fortes, divididos entre "mocinhos" (para quem torcíamos) e "bandidos" (a quem odiávamos). "Amarcord" não tem atores conhecidos. Mais do que isso: tem vários não-atores, gente comum, escolhida na rua pelo seu tipo físico.

"Amarcord" não tem história linear, com começo, meio e fim. Mais do que isso: além de fragmentada, a narrativa nem sempre é realista, pois está baseada em lembranças esparsas, imaginações, sonhos. "Amarcord" não tem mocinhos nem bandidos. Mais do que isso: o personagem principal, um adolescente chamado Titta, não está envolvido em nenhuma ação espetacular, a não ser que consideremos sua incursão entre os seios enormes da bilheteira uma ação espetacular. "Amarcord" não segue a cartilha do cinema americano. Segue a cartilha de Fellini.

Em contrapartida, "Amarcord" tem uma coleção completa de signos cinematográficos da mais alta qualidade. Tem um roteiro que "amarra" a trajetória de Titta com total segurança, criando nexos entre as cenas e dando a cada novo personagem (e são muitos) uma significação única e sempre forte. A mulher mais gostosa da cidade ("La Gradisca"), o vendedor ambulante, o acordeonista cego, a imensa charuteira, a freira anã, todos eles, mesmo com pouco tempo na tela, estão vivos, palpitantes, verdadeiros. Os roteiristas Tonino Guerra e Fellini sabiam que simplesmente "listar" lembranças não seria suficiente: era preciso criar um encadeamento lógico, em que a passagem do transatlântico funciona como um clímax, um orgasmo coletivo dos habitantes da pequena vila costeira.

"Amarcord" também tem uma das mais belas trilhas da história do cinema. Não estou falando de uma música, de um momento específico do filme. Estou falando da trilha original inteira, criada por Nino Rota, que, ou estava inspirado por Deus, ou fez um pacto com o diabo. Todas as músicas, além de apoiarem a imagem com total eficiência, funcionam independente do filme. E isso é muito raro, quase inexistente. "Amarcord" também tem fotografia inspirada, montagem sensível, direção de arte irrepreensível.

"Amarcord" é, à primeira vista, um filme simples, quase singelo, mas, na verdade, é um concerto sinfônico, em que cada um dos instrumentos cumpre modestamente seu papel. É a soma de todos esses timbres que fornece a essência mágica do produto final. Finalmente, não dá pra esquecer que "Amarcord", ao mesmo tempo que é um filme intimista, sobre um garoto que descobre a si mesmo, também é um filme político, sobre a Itália fascista, sobre a alienação de um povo, sobre a preguiça latina, sobre a acomodação dos seres humanos a regras estúpidas, formuladas por seres humanos igualmente estúpidos, mas muito poderosos, capazes de criar os eficientes signos fascistas e gerar líderes monstruosos como Mussolini.

"Amarcord" não será esquecido jamais, nunca sairá de moda, nunca parecerá velho (o que aconteceu com "Oito e meio", por exemplo). Eu lembro de "Amarcord". Eu lembro daquela sessão do cinema Vogue. Eu lembro que os seres humanos são capazes de criar emoção com pedaços de plástico e sal de prata. E gerar artistas geniais como Fellini.

Carlos Gerbase

Amarcord (1973) Duração: 127 minutos. Direção: Federico Fellini. Roteiro: Tonino Guerra e Federico Fellini. Fotografia: Giuseppe Rotunno. Música: Nino Rota. Produção: F.C.Produzione (Roma) e PECF (Paris). Elenco: Bruno Zanin (Titta), Pupella Maggio (sua mãe), Armando Brancia (seu pai), Nando Orfei, Ciccio Ingrassia, Magali Noel. Oscar de melhor filme estrangeiro.



28.10.07

03/11 - Não haverá sessão

No dia 03/11 Não haverá sessão, recesso.


No dia 04/11 (domingo)
participe da peça


"Já Não Estou Sozinha - Variações em Um Ato"


do Colégio Estadual Padre Carmelo Perrone e com direção de
Laysmara Carneiro Edoardo.



Release: Peça de Teatro (Grupo TemPeraMento) Colégio Estadual Padre Carmelo Perrone encenada por alunas no Ensino Fundamental e Médio.


Baseada em uma citação de Jorge Luis Borges, a peça trata do universo feminino a partir do enfrentamento das personagens à situações cotidianas, quando é possível perceber suas trajetórias, peculiaridades, passado e futuro, além de suas semelhanças. Visualizando então, temperamentos e individualidades, é possível tornar o enigma das experiências íntimas compreensível, buscando para além dos fatos, o lado desconhecido de um solilóquio.



Incentivem as meninas que apresentam e interpretam a peça, é a primeira vez que sobem ao palco e sabemos que nosso público tem gosto de apoiar a cultura ainda em seus primórdios.



O ingresso é apenas R$3,00 (tres reais), será no Centro Cultural Gilberto Mayer a partir das 20h.

22.10.07

Dom Quixote (Orson Welles) 1992 (finalização)

Neste SÁBADO 27/10/2007
Às 20h no SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRÁTIS
SINOPSE
Welles mergulha na obra de Cervantes através das personagens de Dom Quixote e Sancho Pança que viajam pela Espanha de 1960, mostrando as suas gentes e os seus costumes, destacando as corridas de touros que tanto apaixonavam Welles, sem deixar de lado tradições populares como as Festas dos Mouros e dos Cristãos, ou as procissões religiosas. As excepcionais interpretações de Reiguera e Tamiroff, tal como a aparição de Welles em algumas cenas, fazem com que este filme seja imprescindível.


Neste sábado no SESC Cineclube Silenzio, Don Quijote by Orson Welles, o filme inacabado do realizador de Citizen Kane, uma versão cinematográfica da mítica obra de Cervantes. É um Dom Quixote diferente porque, se por uma lado tem por base a obra e as personagens de Cervantes, por outro tem como cenário a Espanha atual (fato que dá origem a anacronismos vários).Welles demorou 14 anos a fazer este projecto e, não o concluindo, coube a Jesus Franco a tarefa de compilar o resultado do trabalho de Welles. O problema é que o que ficou desses 14 anos não foi um conjunto coerente de imagens, cujo único elemento em falta eram os elos de ligação. Welles deixou sequências muito diversificadas, algumas sonorizadas e outras ainda por sonorizar e algumas notas de como gostaria de misturar tudo aquilo. Deixou também cerca de uma hora, com narração sua. A ordem sequencial de todos os elementos não foi deixada nada clara e, assim sendo, qualquer tentativa de compilação, por muita qualidade que tenha e muito respeito que nos mereça, poderá ser sempre posta em causa.É certo que Franco esteve presente em boa parte do trabalho de Welles para este filme. Ainda assim, não podemos deixar de considerar este Don Quijote apenas uma proposta de compilação de material de Orson Welles, salvaguardando as devidas (e jamais esclarecidas) dúvidas em relação ao que Welles realmente queria.Don Quijote by Orson Welles não é o único filme inacabado de Welles e está muito longe de ser o único filme inacabado da história do Cinema (Une partie de Campagne de Jean Renoir ou Que Viva Mexico de Sergei Eisenstein são apenas dois exemplos) e as questões que se colocam em relação a este filme podem colocar-se em relação a outros trabalhos por concluir. Para além disso, é também possível ponto de discussão o «by Orson Welles» que acompanha o título. Se pudesse ver a obra terminada por Jesus Franco, até que ponto poderemos afirmar que Welles se identificaria com aquele trabalho? Não sabemos. Nunca saberemos. E por isso mesmo, talvez valha a pena ver este filme, sempre com a noção das suas particularidades.



Don Quijote de Orson Welles

Dir.: Orson Welles - post.: Jesús Franco

Com: Francisco Reiguera, Akim Tamiroff, Orson Welles, José Mediavilla, Juan Carlos Ordóñez, Constantino Romero, Fernando Rey.


Documentário/Ficção, 1992 (finalização) P&B 116 minutos.

13.10.07

Felicidade (Todd Solondz) 1998

SÁBADO 20/11/2007
às 19:30h no SESC Cineclube Silenzio
ENTRADA GRÁTIS





Sinopse Felicidade é o retrato de uma série de pessoas interligadas por laços familiares ou sociais, todas elas vivendo num estado de desespero ou de simples depressão, e levadas a tomar atitutes imorais ou criminosas.
Joy Jordan procura o homem certo e a definição de uma situação laboral que a torne um membro útil da sociedade. Ocorre-lhe "ajudar os outros". Na verdade, desejava ter sucesso enquanto cantora folk.
A irmã de Joy, Helen, é uma escritora bem sucedida e uma "femme fatale" devoradora de homens, mas completamente insatisfeita com a vida. Autora de textos como "Violada aos 12" e "Violada aos 13", lamenta não ter tido uma experiência traumática na infância que lhe permitisse transmitir alguma verdade naquilo que escreve.
A última das irmãs Jordan é Trish, uma dona de casa com uma vida banal. É casada com um psicólogo, Bill Maplewood, que sente uma atração irresistível por rapazes no início da puberdade. O filho de 11 anos, Billy, atravessa uma crise por não conseguir alcançar o orgasmo, ao contrário de todos os rapazes da sua turma. Allen é plenamente patético. Não consegue encarar uma relação normal e procura satisfação através de chamadas telefônicas obscenas para mulheres desconhecidas. Nem todas são desconhecidas; a sua "vítima" preferida é a vizinha Helen.

. Críticas

"Felicidade" é um brilhante filme, de certa forma irônico, que acompanha a vida de três irmãs bem diferentes, todas à procura da 'felicidade', cada uma a seu modo, mas nenhuma conseguindo ter sucesso. Roteirizado e dirigido por Todd Solondz, o filme procura passar a mensagem de que a verdadeira felicidade é um mito. O roteiro de Solondz é perfeito. A trama é desenvolvida com bastante sensibilidade. Ao contrário da maioria dos filmes, que trata pessoas com desvios sexuais e de caráter, tais como pedófilos e criminosos, como verdadeiros monstros, Solondz procura, em "Felicidade", vê-las como seres humanos.

A fotografia de Maryse Alberti é suave e a trilha sonora é adequada. Mas o maior brilho de "Felicidade" reside na série de extraordinárias atuações proporcionadas pela maioria do elenco.


"Felicidade é... saber que há americanos como Solondz acima da linha do Equador que não nos seca o sangue da boca com a bandeira americana depois de um chute com seu Nike. Ele nos traz um filme forte, inteligente, realista ao extremo e sobretudo, corajoso."


"O filme oferece uma visão humanista de personagens outsiders, tirando a carga de estereótipos que eles costumam ganhar em blockbusters de Hollywood e, assim, aproximando-os do espectador. A destruição avassaladora do sonho americano é mais impactante e comovente que a promovida em "Beleza americana". O diretor não tem medo de jogar na tela e na cara do público cenas fortes, algumas que fazem rir e chorar ao mesmo tempo. Atuações brilhantes e, melhor de tudo, um autor que tem muito o que dizer e não está disposto a fazer algumas concessões em suas obras para levar Oscars para casa. É um dos grandes filmes da década de 90, um dos poucos que merecem nota 10 sem sombra de dúvida."


"Perfeito! Coloca "Beleza Americana" no bolso em menos de 5 minutos na tela."



Elenco: Jane Adams (Joy Jordan)
Jon Lovitz (Andy Kornbluth)
Philip Seymour Hoffman (Allen)
Dylan Baker (Bill Maplewood)
Lara Flynn Boyle (Helen Jordan)
Justin Elvin (Timmy Maplewood)
Cynthia Stevenson (Trish Maplewood)
Lila Glantzman-Leib (Chloe Maplewood)
Gerry Becker (Psicoterapeuta)
Rufus Read (Billy Maplewood)
Louise Lasser (Mona Jordan)
Ben Gazzara (Lenny Jordan)

EUA, 1998, Cor, 134min.


7.10.07

Os Incompreendidos (França, 1959) François Truffaut

Devido ao feriado do dia 12, a Sessão desta semana ser quinta feira (11/10) às 19:30h

Entrada Grátis.

Os Incompreendidos não é só o primeiro longa de Truffaut, filmado em 1959: é um dos títulos seminais da nouvelle vague e um dos melhores filmes de todos os tempos.
Trata-se de uma obra-prima. Parafraseando um comentário de François Truffaut sobre Os Pássaros, de Alfred Hithcock, o cinema foi inventado para que semelhante filme fosse feito.
Fotografado em preto-e-branco, Os Incompreendidos acompanha o percurso de um garoto de 12 ou 13 anos pela Paris do final dos anos 50.


A criança está sempre se metendo em encrencas, e vem daí o título original, Les 400 Coups – uma expressão idiomática francesa que pode ser traduzida por “pintar o sete”. Antoine Doinel mata aula e mente que a mãe morreu, ergue um altar em honra de Honoré de Balzac e quase mete fogo na casa, rouba e se arrepende, é preso e foge.


O roteiro, do próprio Truffaut, em parceria com Marcel Moussy, recusa o clima piegas que costuma lambuzar filmes sobre infância.


É quase um documentário, profundamente alegre em certas partes e triste, suave, melancólico no seu todo.
Passados quase 40 anos, o final deve se manter surpreendente. É um dos filmes mais simples e mais belos em cento e poucos anos de cinema.
Truffaut insistiu no personagem
O homem que amava as crianças não gostava de admitir o quão autobiográfico era o seu primeiro longa-metragem.


François Truffaut (1932-1984) não gostava de admitir, mas teve uma infância bem parecida com a do protagonista de Os Incompreendidos. Amargou problemas com os pais, aplicou pequenos golpes e acabou confinado num reformatório juvenil.
O homem que amava o cinema chegou a fazer do personagem Antoine Doinel e de seu intérprete, o ator Jean-Pierre Léaud, uma espécie de alter ego. Doinel, sempre interpretado por Léaud, voltou em outros quatro filmes ao longo de 20 anos, num caso único de insistência no triângulo diretor-personagem-ator: Antoine e Colette (1963), Beijos Proibidos (1968), Domicílio Conjugal (1970) e O Amor em Fuga (1979).


O homem que amava as mulheres repetiria em uma dezena de outros filmes sua devoção aos temas da infância e da solidão. Numa entrevista, chegaria a declarar que não conseguiria fazer outro filme “tão eficaz” como Os Incompreendidos: – Fico muito surpreso quando me dizem que se trata da solidão de uma criança. É exatamente isso o que eu queria.(Eduardo Veras, Agência RBS)

OS INCOMPREENDIDOS
Título Original: Les 400 CoupsPaís de Origem: FrançaAno: 1959Duração: 93min
Diretor: François Truffaut.
Elenco: Jean-Pierre Léaud, Albert Rémy, Claire Maurier, Patrick Aufey e outros.


4.10.07

Amores Brutos (Alejandro G. Iñarritu) 2000

Neste sábado dia 06/10 às 19:30h
Entrada Grátis

Na confusa cidade do México, um carro em alta velocidade provoca um acidente que estraga três vidas. Octavio, o adolescente ao volante, fugia em alta velocidade das grandes confusões que deixou para trás, tendo ao lado seu cão Cofi, que sangra sem parar. Octavio ama sua cunhada, Susana - e Cofi é a fonte de renda dos dois.No outro carro, a modelo Valeria dirigia feliz. Ela tinha acabado de se mudar para viver ao lado de seu amor, o executivo Daniel. Depois do acidente, conhece o inferno. Até Richi, o cachorrinho de Valeria, assume a depressão e o desespero da dupla de recém-casados.El Chivo é uma testemunha do acidente. Ex-guerrilheiro comunista, atual matador de aluguel, ele é o modelo do desencanto e da amargura. Corre para o local do acidente, mas a única vida que lhe interessa ali é a de Cofi. Curiosamente, é o cachorro que perturba a sua vida, dando-lhe a chance de se reconciliar com o passado.


"Amores Brutos" de Alejandro Gonzales Iñarritu (21 Gramas, Babel) é a tradução mais densa do amor, todas as suas variações e tudo o que pode representar. O roteiro é bastante inteligente e ágil em reunir as três histórias presentes. É claro, que em alguns momentos, há uma quebra no ritmo, mas nada que comprometa o resultado final. O filme conta com realismo, magnitude e violência mostrados de uma forma não para chocar, mas para mostrar as dificuldades existentes, acima de tudo relacionadas com o amor e a perda;




Gênero: Cinema Latino-Americano
Atores: Emilio Echeverria, Gael García Bernal, Goya Toledo, Alvaro Guerrero, Jorge Salinas, Vanessa Bauche
Direção: Alejandro González Iñárritu
Idioma: Espanhol,
Legendas: Português,
Ano de produção: 2000
País de produção: México
Duração: 153 min.





Queriamos agradecer imensamente à todos que participaram do evento FUGU.